A participação de gestoras com posições compradas em dólar caiu, enquanto aumentou a parcela de casas posicionadas na Bolsa brasileira, aponta uma pesquisa da XP Investimentos com 20 gestoras de fundos multimercados macro.
O levantamento foi feito entre os dias 4 e 11 de setembro, antes das decisões de juros previstas para quarta-feira (16). No Brasil, 95% dos gestores esperam uma redução da taxa básica. A Selic está em 14% ao ano, e a expectativa predominante é de corte de 25 pontos-base, para 13,75%, conforme a mediana do Boletim Focus.
Nos Estados Unidos, 75% dos gestores brasileiros preveem a manutenção dos juros pelo Federal Reserve no mesmo dia. Esse percentual contrasta com a probabilidade indicada pela plataforma FedWatch, do CME Group, de 92,5% de alta das taxas.
Mudanças nas posições
Entre as gestoras pesquisadas, a fatia de casas compradas em dólar recuou de 46% em agosto para 20% em setembro, o menor nível desde abril. As posições vendidas subiram de 21% para 35%, e as neutras passaram de 33% para 45%.
No real, a neutralidade aumentou de 21% para 60%, o maior patamar da série apresentada. As posições vendidas caíram de 42% para 10%, enquanto as compradas recuaram de 38% para 30%.
Na Bolsa brasileira, as posições compradas avançaram de 63% para 70%. As posições vendidas foram zeradas pela primeira vez na série, depois de representarem 17% no mês anterior. No exterior, a parcela comprada nos Estados Unidos caiu de 54% para 50%, enquanto as posições em mercados globais sem os EUA subiram de 17% para 25%.
Projeções econômicas
As gestoras reduziram a previsão para o PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%, abaixo da mediana do Focus, de 1,93%. A estimativa de inflação caiu de 5,01% para 4,97%, próxima da projeção de 5% do boletim. Para a Selic no fim de 2026, a expectativa é de 13,5%, ante 13,75% no mercado.
A avaliação negativa sobre a economia brasileira ficou em 55%, enquanto a positiva subiu de 8% para 20%. Sobre a economia global, a percepção positiva avançou de 33% para 40%, e a negativa caiu de 21% para 10%. Para Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora, setembro deve ser marcado por mudanças de posicionamento e oscilações.



