CONTAGEM — O Grupo EDJ, formado por seis empresas integradas, prevê encerrar 2026 com faturamento superior a R$ 425 milhões. A holding afirma que pretende manter uma expansão de aproximadamente 70% pelo quarto ano consecutivo e alcançar R$ 3 bilhões em faturamento até 2030.
O grupo atribui o desempenho à combinação de atendimento, ampliação da carteira de clientes, diversificação das operações e uso de tecnologia. Para o CEO Elton Dionísio Pinto Júnior, o crescimento não depende de uma única medida. “Não tem uma receita de bolo. São várias frentes que a gente está atuando”, afirmou.
O mercado atacadista e distribuidor também registrou avanço. Conforme o Ranking ABAD NielsenIQ 2026, com ano-base 2025, o setor faturou R$ 616,6 bilhões no Brasil no ano passado. A alta nominal foi de 17,27%, enquanto o crescimento real, descontada a inflação medida pelo IPCA, ficou em 11%.
Tecnologia para orientar as vendas
Uma das ferramentas usadas pelo grupo foi desenvolvida internamente para identificar o potencial de vendas de cada cliente. O sistema considera informações como segmento, localização, número de check-outs, renda per capita e histórico de compras.
A metodologia procura estimar o mercado disponível e as oportunidades ainda não atendidas, em vez de usar somente o faturamento passado como referência. Com os dados, a equipe comercial pode classificar os clientes segundo o potencial de consumo e sugerir produtos que ainda não fazem parte do mix de cada estabelecimento.
“A gente conseguiu mapear o mercado e olhar para frente”, explicou Pinto Júnior. Segundo ele, a análise também ajuda a aproximar a oferta da demanda de cada ponto de venda e a reduzir o risco de produtos encalhados.
O grupo investiu R$ 1 milhão, com recursos próprios, na troca do sistema de gestão. A ferramenta de inteligência comercial recebeu mais de R$ 1,8 milhão e está na terceira versão. Há previsão de aplicar mais R$ 300 mil no projeto.
Os aportes também incluíram treinamento, qualificação dos funcionários, infraestrutura, roteirização e armazenamento. A estrutura atual tem um galpão de 10 mil metros quadrados, 400 colaboradores diretos, 80 indiretos e uma frota de 70 veículos.
Empresas do grupo
A operação atende mais de 20 mil pontos de venda, sendo 12 mil em Belo Horizonte e 8 mil no interior de Minas Gerais. O portfólio reúne aproximadamente 2,3 mil produtos.
A origem do grupo é a P&P Distribuidora, que completa 29 anos de atividade. A empresa foi fundada por Elton Dionísio Pinto Júnior aos 20 anos, em sociedade com Moacir Paiva, e começou vendendo apenas o refrigerante Mate Couro.
Hoje, a estrutura inclui a P&P Distribuidora, voltada a alimentos e bebidas; a Avante Distribuidora, criada em 2023 para os segmentos de higiene, limpeza, beleza e bazar; o operador logístico Sima; a AMO, de marcas próprias; a Ex-Bônus, voltada a soluções financeiras; e a Lyra, unidade de tecnologia.
A Lyra surgiu a partir de um sistema de monitoramento de rotas por GPS criado para atender às necessidades da operação de distribuição. O grupo também afirma que sua estrutura tem atraído companhias interessadas em trocar distribuidores com desempenho abaixo do esperado.
Perspectivas para 2027
Pinto Júnior avalia que o ambiente econômico deve trazer dificuldades para o setor em 2027. A estratégia do Grupo EDJ é usar sua estrutura e suas ferramentas para ampliar a atuação enquanto concorrentes enfrentarem problemas.
Duas companhias migraram suas operações para o grupo em 2026 por dificuldades de estrutura dos distribuidores anteriores. Outras três estão em negociação. A meta declarada pelo executivo é manter o crescimento.



