O crescimento da quantidade de dados produzidos por satélites, drones, câmeras e sensores está criando oportunidades para empresas brasileiras de tecnologia. As soluções buscam antecipar falhas, identificar riscos, prever o comportamento de sistemas complexos e encontrar alterações em grandes conjuntos de imagens.
O movimento é impulsionado pela inteligência artificial, pelo sensoriamento remoto e pelo modelo conhecido como New Space, que ampliou a participação de empresas privadas e reduziu os custos de desenvolvimento e lançamento de tecnologias espaciais.
As aplicações se concentram em áreas como energia, infraestrutura e defesa. Ao reunir diferentes fontes de informação, as empresas podem substituir parte das respostas a problemas já ocorridos por modelos capazes de indicar a probabilidade de determinados eventos.
“Estamos saindo de uma lógica reativa, de identificar um problema para depois agir, para uma lógica preditiva”, afirma Bárbara Lotzniker, CEO do Grupo Concert. Segundo ela, a combinação de informações e inteligência artificial permite reconhecer padrões e agir antes da ocorrência de um evento.
No Brasil, o setor também recebe recursos públicos. O Plano Plurianual (PPA) 2024–2027 prevê R$ 647,8 milhões para o Programa Espacial Brasileiro. O orçamento inclui desenvolvimento de satélites, bolsas de pesquisa, funcionamento da Agência Espacial Brasileira (AEB), cooperação internacional e infraestrutura.
A expansão da quantidade de satélites em órbita aumenta a capacidade de observar grandes áreas e produzir dados em escala. Esse processo movimenta a demanda por foguetes, equipamentos e infraestrutura, além de estimular tecnologias para tratar e interpretar as informações captadas.
A cadeia envolve sistemas embarcados, estruturas em solo, eletrônica, programas de computador, sensoriamento remoto e processamento de imagens. As imagens de satélites podem ser combinadas com dados de drones, câmeras e sensores para monitorar vegetação, acompanhar lavouras, identificar alterações ambientais e inspecionar ativos e estruturas.
Estratégia do Grupo Concert
Com 25 anos de atuação em soluções para setores críticos, o Grupo Concert pretende ampliar sua presença nesse mercado. A empresa começou com atividades de engenharia, automação e tecnologia voltadas aos setores elétrico e espacial e incorporou competências em pesquisa e desenvolvimento, programas de computador, equipamentos, processamento de imagens e inteligência artificial.
Bárbara Lotzniker afirma que a complexidade dos sistemas e o aumento de recursos conectados às redes mudaram os desafios enfrentados pelas empresas. O grupo pretende aplicar conhecimentos de engenharia, eletrônica, programas de computador e sistemas críticos na cadeia espacial e em outros mercados que precisam de análise avançada de dados.
“Um satélite pode produzir uma quantidade enorme de dados, mas o valor está no que conseguimos fazer com eles”, diz a executiva. Para ela, a oportunidade está em transformar imagens em informações úteis para decisões.



