O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,2% em julho, no segundo mês seguido de retração. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (16), ficou abaixo da expectativa de queda de 0,10% e marcou um início mais fraco do terceiro trimestre para a economia brasileira.
Em junho, o índice havia recuado 0,8%. O Banco Central revisou o resultado daquele mês: a queda inicialmente informada como 0,6% passou a ser de 0,8%. O IBC-Br é usado como sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB).
Na comparação com julho do ano anterior, o índice subiu 1,1%. No acumulado em 12 meses, o avanço foi de 1,5%, considerando os dados não dessazonalizados.
Setores e perspectivas
Os dados mostram que a retração de julho atingiu a agropecuária e a indústria. A atividade agropecuária caiu 1,2%, enquanto a indústria recuou 0,4%. O setor de serviços ficou estável. Sem considerar a agropecuária, o IBC-Br teria registrado queda de 0,1%.
O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre, em desaceleração diante dos três meses anteriores. O resultado foi influenciado pela retração do consumo das famílias e pela perda de dinamismo da indústria, conforme dados do IBGE.
A produção industrial cresceu 0,20% em julho, depois de dois meses de perdas. O volume de serviços ficou estável, e as vendas do varejo recuaram 0,8% no mês.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirmou que o resultado reforça a expectativa de desaceleração no terceiro trimestre, com crescimento do PIB próximo da estabilidade. A Selic está em 14,0%, e o Banco Central anunciaria nesta quarta-feira sua decisão sobre a taxa básica, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, disse que o resultado mostra perda de velocidade da economia e que as expectativas de inflação, o cenário fiscal e os riscos externos recomendam cautela na redução dos juros.
A pesquisa Focus do Banco Central indicou expectativa de crescimento do PIB de 1,89% em 2026 e de 1,45% em 2027. Para Rafael Perez, economista da Suno Research, a agropecuária pode ter desempenho mais moderado nos próximos meses devido aos impactos associados ao Super El Niño.



