O Federal Reserve elevou, por unanimidade, a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (16), foi a primeira alta desde julho de 2023 e ficou alinhada às expectativas do mercado.
As novas projeções do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) também indicam juros mais altos nos próximos anos. A mediana dos integrantes do comitê passou a apontar taxa de 4,1% ao fim de 2026, acima dos 3,8% previstos em junho. Para 2027, a estimativa subiu de 3,6% para 4,1%; para 2028, de 3,4% para 3,9%; e para 2029, de 3,1% para 3,6%. A projeção de longo prazo permaneceu em 3,2%.
Atividade econômica e inflação
No comunicado, o Federal Reserve afirmou que a economia continua crescendo em ritmo sólido. A instituição citou a resistência dos gastos domésticos, o avanço da produtividade e a força dos investimentos de capital. Também informou que a criação de empregos acompanha o crescimento da força de trabalho e que a taxa de desemprego teve pouca alteração.
A inflação, porém, continua elevada. O Fed espera que a decisão ajude a acelerar a volta dos preços à meta de 2%.
A projeção para o crescimento real do Produto Interno Bruto em 2026 subiu de 2,2% para 2,3%. Para 2027, passou de 2,3% para 2,4%. A estimativa para 2028 ficou em 2,2%, e a de 2029 aumentou de 2,0% para 2,1%.
No mercado de trabalho, a previsão para a taxa de desemprego no quarto trimestre de 2026 caiu de 4,3% para 4,1%. Para 2027, recuou de 4,3% para 4,1%; para 2028, de 4,2% para 4,1%; e para 2029, de 4,2% para 4,1%.
A projeção para o índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, passou de 3,6% para 3,7% em 2026. Para 2027, ficou em 2,3%. Em 2028, subiu de 2,0% para 2,1%, antes de voltar a 2,0% em 2029. A previsão de longo prazo é de 2,0%.
No núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, a estimativa para 2026 aumentou de 3,3% para 3,4%. Para 2027, ficou em 2,5%; para 2028, passou de 2,1% para 2,2%; e para 2029, foi projetada em 2,0%.
Próximos passos
A avaliação de André Cordeiro, gerente de pesquisa macroeconômica do Inter, é de que os integrantes do comitê projetam apenas mais uma alta de 25 ponto porcentual neste ano, possivelmente em dezembro, com manutenção dos juros nesse nível ao longo de 2027. Ele afirmou que a trajetória pode depender do comportamento do preço do petróleo.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, disse que o documento não indica novas elevações em 2027. Para ela, a projeção de 4,1% no fim daquele ano é mais favorável a juros menores do que as apostas predominantes do mercado.
Esta foi a primeira decisão de mudança da taxa sob o comando de Kevin Warsh. Em julho, o comitê havia mantido os juros por 9 votos a 3, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defendiam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
O Fed havia mantido os juros entre 3,50% e 3,75% desde dezembro do ano passado. A instituição começou a cortar a taxa em setembro de 2024 e fez três reduções naquele ano, somando 1 ponto percentual.
Os dados mais recentes de inflação também influenciaram a decisão. O Índice de Preços ao Consumidor de agosto subiu 0,4% no mês, enquanto o núcleo avançou 0,3% em relação a julho. Em 12 meses, a inflação cheia ficou em 3,4%, e o núcleo, em 2,5%. A meta é 2%.
Kevin Warsh fará uma entrevista coletiva para comentar a decisão.



