TRÊS CORAÇÕES — A Mangels reduziu de dois para um turno a produção de botijões de gás em sua unidade de Três Corações, no Sul de Minas Gerais. A empresa também cortou cerca de 150 postos entre funcionários, terceiros e temporários e avalia diminuir ainda mais a operação diante do avanço das importações, principalmente da China.
A companhia, que tem sede no município e responde por cerca de 30% do mercado nacional de botijões, estima uma queda de 75% nas vendas entre setembro e o fim do ano, conforme afirmou o CEO Ivan Ciruelos. A produção, que funcionava por 16 horas diárias, passou a operar em apenas um turno em agosto. A possibilidade avaliada é reduzir o funcionamento para meio turno.
Importações e impacto na produção
De acordo com a Mangels, as distribuidoras compraram no exterior cerca de 515 mil botijões de GLP de 13 kg no primeiro semestre deste ano. Mais de 90% vieram da China. Até agosto, o total importado chegou a 937 mil unidades e, considerando setembro, a empresa calcula que o volume tenha ultrapassado 1 milhão — cerca de um terço da demanda nacional, estimada em 3 milhões de botijões novos por ano.
No ano passado, o Brasil havia importado cerca de 29 mil botijões. Para Ciruelos, a mudança afeta um mercado que, segundo ele, não recorria a compras externas desde o início da fabricação nacional pela Mangels, em 1937.
A empresa afirma que utilizava apenas 25% da capacidade produtiva e que tinha uma carteira de pedidos acima da registrada no ano passado até agosto. Com a redução do ritmo, o número de cortes pode chegar a 300 pessoas até o fim de outubro. A Mangels tenta remanejar parte dos trabalhadores para outra unidade, de fundição de alumínio.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Gustavo Franco, a empresa emprega atualmente mais de 2 mil pessoas e representa aproximadamente 12% das carteiras assinadas de Três Corações. Ele afirmou que o impacto pode alcançar cerca de 600 colaboradores caso não haja mudança no cenário. Ciruelos informou que a companhia tem 2,2 mil funcionários no município.
Debate sobre a tarifa
A Mangels defende que a tarifa de importação dos botijões suba para 25%. A empresa argumenta que o recipiente é composto por 70% de aço e que o imposto sobre o aço foi elevado para 25% em abril de 2024, enquanto a tarifa aplicada ao botijão acabado permanece em 12,6%.
A companhia levou a discussão ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ao Ministério do Planejamento e à Casa Civil. Também afirma ter apoio de siderúrgicas, fabricantes de tintas e válvulas e do Sindicato dos Metalúrgicos de Três Corações.
O Sindigás defende a redução temporária da tarifa a zero. Em nota, o sindicato afirmou que a medida serviria para complementar a produção brasileira e ampliar a quantidade de recipientes disponíveis após o aumento da demanda associado ao programa Gás do Povo, que passou a beneficiar cerca de 15 milhões de famílias.
A entidade disse que a importação não substituiria a produção nacional e que a decisão deve considerar o abastecimento, as necessidades do mercado e a ampliação do acesso ao GLP. A definição segue em análise técnica no Mdic e na Camex, segundo Ciruelos, sem prazo informado.



