BELO HORIZONTE — O IPCA-15, considerado a prévia da inflação, subiu 0,79% na Região Metropolitana de Belo Horizonte em setembro. O resultado foi o segundo maior entre as 11 áreas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o índice avançou 0,70% no mês.
Em 12 meses, a variação acumulada ficou em 3,84% na região e em 4,47% no Brasil. A alta foi influenciada principalmente por combustíveis, transportes e energia elétrica.
O etanol aumentou 6,35% e a gasolina teve alta de 3,35%. O grupo de transportes subiu 1,64%, com destaque também para as passagens aéreas, que ficaram 5,39% mais caras.
Entre os grupos pesquisados, oito registraram aumento: transportes (1,64%), habitação (1,62%), despesas pessoais (0,82%), comunicação (0,62%), artigos de residência (0,44%), alimentação e bebidas (0,32%), vestuário (0,29%) e saúde e cuidados pessoais (0,26%). Educação foi o único grupo com resultado negativo, de -0,02%.
Energia elétrica e mudança no índice
A energia elétrica residencial teve alta de 5,69% e foi o item de habitação que mais contribuiu para o resultado, com impacto de 0,22 ponto percentual. O gás de botijão caiu 1,18%, com impacto de -0,02 p.p.
O economista Leonardo Baldez Augusto relacionou a alta da energia ao fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em setembro. Para ele, esse fator específico é importante para avaliar se a pressão poderá se repetir.
O economista Fernando Sette Júnior afirmou que a alta dos combustíveis reduz a renda disponível para outros gastos, principalmente entre pessoas que dependem do automóvel para trabalhar. “O avanço de 1,64% do grupo também merece atenção pelos possíveis efeitos dos combustíveis sobre os custos de transporte e distribuição”, disse.
A Região Metropolitana de Belo Horizonte teve o segundo maior resultado entre as áreas pesquisadas, atrás de Goiânia, que registrou 0,95%. Em agosto, Belo Horizonte havia apresentado deflação de 0,55%.
Segundo Sette Júnior, energia elétrica, gasolina e conserto de automóvel responderam, juntos, por aproximadamente dois terços da inflação de setembro na região. Augusto destacou que a composição da alta pode fazer com que a percepção de inflação seja maior do que a média do índice.



