O deslocamento entre casa e trabalho leva, em média, mais de duas horas para trabalhadores de cidades importantes do Rio de Janeiro. Ônibus lotados, poucos veículos, trânsito intenso e viagens longas prejudicam a rotina de quem depende do transporte público e também reduzem a produtividade das empresas.
Em São Gonçalo, há trabalhadores que saem de casa ainda de madrugada. A diarista Cristiane Gomes deixa a residência às 4h30, usa três ônibus para chegar ao trabalho e outros três no retorno. “É muita gente pra pouco transporte”, resume.
O mecânico Diomilson Fortunato mora em Belford Roxo e trabalha em uma empresa em Niterói. Ele acorda às 3h30, chega ao ponto às 4h e, depois de usar mais de um ônibus, caminha por ruas escuras até o trabalho. Para evitar atrasos, antecipa a saída de casa. A jornada começa às 7h da manhã.
A dificuldade de circulação também atinge uma empresa familiar de Niterói que presta serviços à indústria de óleo e gás. A operação funciona como um miniestaleiro, com trabalhos realizados dentro de navios que têm horários definidos para atracar e partir. O empresário Bernhard Falke afirma que atrasos podem comprometer o transporte de materiais e equipes, além de provocar perdas para operadores, prestadores de serviço, produção e arrecadação de royalties.
A Rodovia Niterói-Manilha concentra o deslocamento de cargas e milhares de trabalhadores. São Gonçalo, o segundo município mais populoso do estado, também funciona como cidade-dormitório.
Aeroporto e turismo
Na Região dos Lagos, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio tem a segunda maior pista do estado e condições operacionais para receber voos nacionais e internacionais, segundo a prefeitura. Na última temporada, o terminal recebeu 77 voos diretos da Argentina. Atualmente, a movimentação principal está ligada à indústria do petróleo, com embarques e desembarques de trabalhadores de plataformas.
Desde o fim da antiga concessão, o aeroporto é operado em caráter emergencial. A prefeitura preparou uma nova licitação, que ainda depende da homologação da Secretaria Nacional de Aviação Civil. Para Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, o terminal pode estimular o turismo, o transporte de cargas e outras atividades econômicas.
Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Rio das Ostras e Saquarema estão entre os municípios classificados pelo Ministério do Turismo como destinos de excelência. Mesmo assim, hotéis e pousadas enfrentam problemas recorrentes de água e energia.
As interrupções de energia fazem com que geradores sejam usados como parte da estrutura básica dos estabelecimentos. Thomaz Weber, dono de pousadas, relata prejuízos, queda nas avaliações e danos a equipamentos como elevadores e motores.
A falta de água se agrava na alta temporada, quando aumenta a população das cidades. Uma das alternativas é solicitar caminhões-pipa, mas o trânsito pode atrasar a entrega. Em situações extremas, estabelecimentos chegaram a bombear água de piscinas para cisternas.
Para Laura Corrêa, gerente de uma pousada em Búzios, a necessidade de resolver falhas no abastecimento tira o foco do atendimento aos hóspedes e das melhorias nos negócios.
Rodovias
A Firjan aponta a necessidade de investimentos em infraestrutura para aproveitar o potencial econômico da região. Além do aeroporto, a BR-101 e a RJ-106, conhecida como Amaral Peixoto, são importantes para ligar municípios e movimentar trabalhadores, cargas e turistas.
A BR-101 passa por um novo ciclo de investimentos, com reflexos especialmente na região de Itaboraí. Isaque Ouverney também destaca a necessidade de recursos nas rodovias estaduais, incluindo a Amaral Peixoto, considerada uma artéria de desenvolvimento do interior dos municípios.



