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Economia

Violência encarece fretes e dificulta entregas no Rio e na Baixada

Roubos, cobranças de grupos criminosos e gastos extras com segurança afetam transportadoras, empresas e decisões de investimento.

Violência encarece fretes e dificulta entregas no Rio e na Baixada
Foto: Reprodução/RJ2

Motoristas e empresas enfrentam custos maiores e dificuldades para transportar mercadorias no Rio e na Baixada Fluminense. O medo da violência muda horários de viagem, exige novas tecnologias de rastreamento, altera rotas e, em alguns casos, impede entregas em determinados endereços.

Caminhoneiros relatam que costumam interromper a jornada antes do anoitecer para reduzir o risco de assaltos. Anderson Coeres disse: “Antes de anoitecer tem que parar pra não ser assaltado, pra não acontecer uma coisa pior”. César Pettres, que está há 50 anos nas estradas, também afirmou que prefere parar em locais considerados seguros.

A série histórica dos roubos de carga mostra que o problema permanece. Em 2003, foram registrados 4.073 casos. O número chegou ao recorde de 10.599 ocorrências em 2017 e, depois de uma redução, ficou em 3.113 roubos de carga em 2025.

Tecnologia contra os roubos

Transportadoras passaram a investir em rastreadores, câmeras e mecanismos capazes de bloquear caminhões à distância. As quadrilhas, porém, adotaram o jammer, um bloqueador portátil de sinais proibido no Brasil e conhecido como Chupa-cabra.

Quando o equipamento é acionado, o caminhão pode desaparecer dos sistemas de monitoramento. Com a perda de comunicação, a empresa pode não conseguir bloquear portas ou desligar o motor rapidamente.

Marcelo Pessoa, diretor de Segurança do Sindicarga, afirmou que equipamentos capazes de detectar o bloqueador podem ajudar a localizar os veículos. A proposta é levar essa tecnologia à Polícia Rodoviária Federal, à Polícia Civil e a unidades estratégicas da Polícia Militar.

O risco também aparece durante as entregas dentro das cidades. Um caminhoneiro relatou ter sido abordado nos arredores do Morro da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, enquanto entregava um fogão. Os criminosos teriam exigido uma cobrança mensal e, como a transportadora não contribuía, pedido R$ 3 mil para liberar o caminhão.

Em outro caso, uma funcionária negociou com criminosos para proteger a equipe e evitar que o veículo fosse incendiado. Ela disse que a prioridade era preservar a vida dos funcionários.

Cobranças na Baixada

Em algumas áreas de Seropédica, na Baixada Fluminense, caminhões são obrigados a pagar para entrar e fazer entregas, segundo uma empresária. A cobrança pode chegar a cerca de R$ 1.600 por veículo. Se a empresa não paga, precisa alterar o trajeto ou buscar outra forma de entregar a mercadoria.

Há casos em que o cliente precisa retirar o produto na própria empresa. A empresária afirmou que a situação gera sensação de impotência e que a principal alternativa é mudar as rotas.

Os efeitos atingem também funcionários e motoristas. Relatos mencionam nervosismo de familiares e impactos psicológicos depois de abordagens e ameaças.

Reflexos na economia

Para Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, a violência aumenta o seguro de veículos e o custo do frete mesmo para quem não sofreu um roubo diretamente. Jonathas Goulart, economista-chefe da entidade, afirmou que empresas também precisam contratar segurança privada para acompanhar cargas, elevando o custo de produção.

Além das perdas causadas pelos roubos, transportadoras gastam mais com proteção, mudam trajetos e enfrentam atrasos. Esses fatores afetam empresas do interior que precisam levar a produção até a capital e podem encarecer os produtos.

A insegurança também influencia decisões de investimento. Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, afirmou que uma pesquisa da entidade aponta que dois em cada três empresários consideram a segurança pública um obstáculo para investir.

Os empresários citam o risco de roubo de cargas, a proteção dos funcionários e a atuação de milícias. A violência interfere na logística, no transporte e na produtividade, além de criar barreiras para a circulação de mercadorias.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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