SÃO PAULO — O governo federal marcou para 17 de dezembro, a partir das 14h, na B3, a sessão pública do leilão de concessão do corredor ferroviário Minas-Rio. O projeto conecta Minas Gerais ao litoral do Rio de Janeiro e será o primeiro certame ferroviário desde 2021 a utilizar o modelo de chamamento público.
A malha tem cerca de 733 quilômetros e foi dividida em dois lotes. O primeiro, com 626 km, liga Iguatama, no Centro-Oeste mineiro, a Barra Mansa (RJ), incluindo um ramal entre Varginha e Lavras, no Sul de Minas. O segundo tem 107 km e se estende de Barra Mansa (RJ) a Angra dos Reis (RJ).
A autorização terá validade de 99 anos. A concessionária, que substituirá a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), ficará responsável pela manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura. Também deverá apresentar, em até dois anos, um plano de recapacitação da ferrovia. A assinatura do contrato está prevista para ocorrer até maio de 2027.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a versão definitiva do edital em 27 de agosto. Na ocasião, o diretor e relator do processo, Marcelo Fonseca, afirmou que o corredor poderá servir de referência para futuros chamamentos públicos de autorização ferroviária.
Próximos projetos
A ANTT prevê publicar ainda neste ano o edital de chamamento público do trecho entre Arcos, no Centro-Oeste mineiro, e Barra Mansa (RJ). Também está previsto o edital da Estrada de Ferro 118, que ligará Vitória (ES) ao Porto do Açu (RJ). Para 2027, a carteira da agência inclui a Ferrogrão, a Malha Oeste e a Malha Sul.
O corredor é apontado como estratégico para Minas Gerais por ampliar a ligação do estado com portos do Sudeste, incluindo o de Angra dos Reis. O projeto também prevê melhorar a logística de exportação de fertilizantes e café.
A concessão faz parte de um conjunto federal de oito projetos voltados à retomada da infraestrutura ferroviária e ao aumento da participação das ferrovias no transporte de cargas. Em Minas Gerais, estão previstos R$ 38 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos.
“Expandir as ferrovias não é uma escolha, é uma necessidade”, afirmou o diretor da ANTT Alessandro Baumgartner durante o 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, realizado em maio, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.



