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Economia

Relação entre investimento e depreciação cai nas empresas brasileiras

Mediana do indicador Capex/depreciação chegou a 101,2% em junho de 2026, próxima do nível registrado durante a pandemia.

Relação entre investimento e depreciação cai nas empresas brasileiras
Foto: Daniel Teixeira/Estadao

A relação entre os investimentos das empresas e a depreciação e amortização de seus ativos caiu de forma expressiva no Brasil ao longo da série acompanhada pela Elos Ayta. Na Bolsa brasileira, a mediana do indicador Capex/depreciação e amortização ficou em 101,2% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, um dos menores níveis desde 2010 e próximo dos 94,0% registrados em 2020.

O indicador não mostra necessariamente que as empresas passaram a investir metade do que investiam. Ele compara o Capex, dinheiro destinado a ativos de uso prolongado, com despesas contábeis que reconhecem o consumo gradual de ativos tangíveis e intangíveis. Em 2010, a mediana brasileira era de 217,4%. Naquele momento, a empresa no centro da amostra aplicava mais que o dobro do valor registrado em depreciação e amortização. Em junho de 2026, as duas medidas estavam praticamente empatadas.

A relação funciona como uma referência para acompanhar o ritmo relativo de reinvestimento, mas não permite concluir, sozinha, se uma empresa está crescendo, se aplicou recursos suficientes ou se escolheu bons projetos. O Capex também não reúne todas as formas de investimento no futuro da companhia.

Brasil e Estados Unidos se aproximam

Em 2010, o indicador era de 217,4% no Brasil e de 137,8% nos Estados Unidos. No ano seguinte, a mediana brasileira chegou a 239,4%, maior valor apresentado no gráfico. Depois, recuou e já estava próxima de 100% em 2016. Em 2020, caiu para 94,0% e subiu para 165,3% no ano seguinte.

Movimento semelhante ocorreu nos Estados Unidos, onde o indicador passou de 85,3% para 129,4% entre 2020 e 2021. Em junho de 2026, as medianas eram de 101,2% no Brasil e 95,3% nos Estados Unidos. A diferença entre os dois mercados, que alcançava 79,6 pontos percentuais em 2010, caiu para 5,9 pontos.

A aproximação não significa que os países tenham o mesmo volume de investimentos ou a mesma capacidade de expansão. Brasil e Estados Unidos também têm composições setoriais diferentes, o que influencia o tipo de ativo utilizado e a forma de registrar depreciação e amortização.

Diferenças entre os índices da B3

A análise trimestral reúne o Capex acumulado nos 12 meses anteriores e divide o resultado pela depreciação e amortização do mesmo período. A mediana é calculada para três grupos: B3, Ibovespa e índice Small Cap. A janela móvel reduz o peso de desembolsos excepcionais feitos em um único trimestre.

Depois dos níveis mais baixos de 2020, os três grupos se recuperaram entre 2021 e 2022. A mediana do Ibovespa alcançou 187,9% em setembro de 2022, mas recuou posteriormente.

Em junho de 2025, a mediana era de 119,6% no Ibovespa e de 84,8% nas Small Caps. Um ano depois, os resultados ficaram em 117,86% e 97,77%, respectivamente. No conjunto das empresas elegíveis da B3, a mediana de junho de 2026 foi de 101,22%.

Os dados indicam que a empresa típica do Ibovespa mantinha Capex mais elevado em relação à depreciação e amortização do que as Small Caps no período mais recente. As carteiras consideradas são as que estavam vigentes em cada momento histórico; por isso, entradas e saídas de empresas também podem influenciar a variação das medianas.

A série não permite atribuir automaticamente as mudanças à Selic, a governos ou a outros fatores econômicos. Decisões de investimento podem levar anos até resultar em desembolsos, e geração de caixa, demanda, preços de commodities, inflação e características setoriais também interferem nos resultados.

O levantamento mostra, portanto, uma redução do ritmo relativo de reinvestimento das empresas brasileiras quando o Capex é comparado à depreciação e à amortização. Para identificar as razões dessa mudança, seria necessário cruzar o indicador com Capex em valores reais, receita, ativos, geração de caixa, endividamento e juros.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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