O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou 0,32% em agosto, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi a primeira deflação do indicador em um ano. Em julho, o índice havia subido 0,07%.
A queda foi influenciada principalmente pelo bônus de Itaipu, que gerou desconto na conta de luz no mês. O benefício é distribuído todos os anos a milhões de consumidores e calculado a partir do saldo da conta de comercialização de energia de Itaipu no ano anterior. O alívio, porém, é temporário e tende a ser revertido a partir de setembro.
A taxa registrada ficou abaixo da projeção mediana de analistas, que esperavam deflação de 0,28% em agosto. As estimativas variavam de 0,37% negativo a 0,20% negativo.
Inflação acumulada e riscos
Em 12 meses até agosto, o IPCA acumulou alta de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho. Com o resultado, o índice permaneceu abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
O mercado financeiro, no entanto, projeta alta de 5% para o IPCA acumulado até dezembro, conforme o boletim Focus divulgado pelo Banco Central. A previsão está acima do teto da meta.
Entre os riscos apontados estão os efeitos do El Niño sobre a distribuição das chuvas e o agronegócio. Eventuais perdas na produção podem encarecer os alimentos, enquanto o fenômeno também pode pressionar custos no setor de energia.
Outro fator citado é o conflito entre Estados Unidos e Irã. Na quarta-feira (9), o petróleo passou de US$ 100 pela primeira vez desde maio, em meio à intensificação da guerra.
Próxima decisão sobre os juros
A divulgação do IPCA ocorreu antes da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O colegiado do Banco Central se reúne na terça-feira (15) e na quarta-feira (16) para decidir o nível da taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano.
A expectativa do mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria a 13,75%. Em agosto, o Copom avaliou que a inflação seguia pressionada pela demanda e que os juros precisavam permanecer em nível alto o suficiente para frear a economia.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.



