Economistas consultados pelo Banco Central estimam que o El Niño poderá elevar em 0,5 ponto percentual a inflação brasileira em 2027. A mediana foi calculada a partir das respostas de 89 profissionais, ouvidos antes da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (23).
Entre os participantes, 83 disseram que já haviam incluído um impacto de 0,3 ponto percentual nas projeções para os preços ao consumidor no próximo ano. Para 2026, a expectativa mediana de 87 analistas é de uma pressão de 0,3 ponto percentual sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Nesse caso, 80 entrevistados já consideraram 0,2 ponto percentual em seus cálculos.
O El Niño envolve o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e mudanças na distribuição das chuvas. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) calcula em 97% a probabilidade de o fenômeno chegar a um nível muito forte ainda em setembro. A previsão é de intensificação no segundo semestre deste ano.
Projeções para a inflação
Na mediana das estimativas de 110 agentes econômicos, o IPCA deve terminar este ano em 5% e o próximo em 4,3%. Os dois resultados ficariam acima do objetivo central do Banco Central, de 3%.
A meta admite uma variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Pelo sistema de meta contínua, ela é considerada descumprida quando a inflação acumulada fica fora do intervalo por seis meses seguidos. Os limites são de 1,5% e 4,5%.
O questionário foi enviado aos analistas em 4 de setembro e serviu de apoio à decisão mais recente do Copom. Na reunião, a Selic sofreu novo corte de 0,25 ponto percentual e passou para 13,75% ao ano.
O Ministério da Fazenda também elevou sua estimativa para a inflação de 2027, de 3,6% para 3,8%. A revisão foi atribuída aos possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra. Em boletim divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) na terça-feira (22), o órgão afirmou que o fenômeno pode afetar os alimentos in natura ainda este ano, enquanto os efeitos mais fortes devem aparecer na safra de 2027.
A SPE relacionou a revisão aos impactos diretos sobre a produção de grãos e às consequências posteriores nos preços das carnes. O Banco Central incluiu os efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia entre os riscos para a inflação permanecer distante da meta por um período prolongado.



