Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Economia

Desaceleração do trabalho ainda não aponta recessão no Brasil, diz análise

Regra adaptada ao mercado brasileiro mostra aproximação do limiar de alerta, mas indicador permaneceu estável nos dois últimos meses avaliados.

Desaceleração do trabalho ainda não aponta recessão no Brasil, diz análise

A perda de ritmo do mercado de trabalho brasileiro ainda não indica que o país esteja a caminho de uma recessão, segundo análise do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. O estudo adaptou ao Brasil a regra de Sahm, métrica criada nos Estados Unidos para identificar sinais iniciais de retração econômica.

A diferença calculada pelo indicador ficou negativa até fevereiro e se aproximou do limite de alerta nos meses seguintes. Nos dois últimos períodos avaliados, porém, houve estabilidade: o resultado passou de 0,13 p.p. em junho para 0,12 p.p. em julho. Para o Brasil, a análise considera como referência uma elevação de 0,3 ponto percentual na média móvel de três meses da taxa de desemprego em relação ao menor nível dos 12 meses anteriores.

“O mercado de trabalho está em desaceleração, mas segue ainda resiliente, ainda forte”, afirma Imaizumi.

Como funciona o indicador

Nos Estados Unidos, a regra de Sahm considera que pode haver recessão quando a média móvel de três meses do desemprego fica 0,5 ponto percentual ou mais acima do menor nível registrado nos 12 meses anteriores. O estudo usa um limite menor para o Brasil, seguindo recomendação de uma publicação do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, da Universidade de São Paulo (USP).

A adaptação leva em conta características do mercado brasileiro, como o nível maior de informalidade. A série histórica elaborada por Imaizumi reúne dados dessazonalizados desde o final de 1995, calculados a partir de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista afirma que o mercado de trabalho brasileiro reage com defasagem e que uma eventual recessão pode levar à migração de vagas formais para informais, sem aumento abrupto da taxa de desocupação. Por isso, a regra pode não captar imediatamente uma mudança no cenário.

No Brasil, não existe uma definição oficial única para recessão. A identificação dos ciclos é feita pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV), após a avaliação de indicadores de atividade e do mercado de trabalho. A chamada “recessão técnica”, associada a dois trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), é considerada tecnicamente equivocada por muitos analistas.

Desemprego e atividade econômica

Segundo o Codace, a recessão mais recente ocorreu do primeiro ao segundo trimestre de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na ocasião, o indicador adaptado ultrapassou o limite de 0,3 p.p. O mesmo ocorreu na recessão anterior, datada do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016.

A taxa de desemprego divulgada pelo IBGE ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor resultado para esse intervalo de três meses na Pnad Contínua, iniciada em 2012. No mesmo período, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 3.762 por mês, abaixo dos R$ 3.786 registrados no trimestre encerrado em abril. A queda foi de 0,7%, considerada pelo IBGE dentro da margem de estabilidade estatística.

Para Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, o mercado de trabalho parece ter atingido o limite depois da recuperação dos últimos anos. Ele avalia, no entanto, que a desaceleração ainda não permite projetar uma recessão a partir de 2027. Sartori prevê crescimento de 1,9% do PIB em 2026 e de 1,6% no ano seguinte.

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três meses iniciais do ano, de acordo com os dados mais recentes do IBGE, divulgados em 1º de setembro. O resultado veio em um cenário de juros elevados para conter a inflação. A divulgação do terceiro trimestre está prevista para 2 de dezembro, e analistas esperam uma taxa mais próxima de zero.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.