A alta do petróleo e novos sinais de força da economia dos Estados Unidos aumentaram a pressão sobre moedas emergentes nesta quinta-feira, 24. No Brasil, o dólar à vista subiu 0,49% e terminou o dia a R$ 5,1937, depois de alcançar R$ 5,2019. Foi o maior fechamento desde 28 de agosto.
Nos dois últimos dias, a moeda norte-americana acumulou alta de 1,78% e passou a registrar avanço de 0,26% em setembro. Em agosto, a valorização havia sido de 2,16%. Apesar do movimento, o real teve desempenho melhor que o peso colombiano e o mexicano. A moeda do México ampliou as perdas à tarde depois que o banco central do país manteve os juros em 6,5%.
Pressão externa
A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, relacionou o comportamento do câmbio à valorização global do dólar e à elevação dos juros dos Treasuries, impulsionadas pelo petróleo. Para ela, esse conjunto explica as perdas das moedas de países emergentes.
O barril do Brent para dezembro subiu 3,41%, a US$ 106,60. O petróleo acumula alta de quase 4% na semana e de mais de 18% no mês. As cotações se afastaram das máximas à tarde diante de informações sobre tentativas de Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, mas terminaram o pregão em forte alta.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,18% por volta das 17h, aos 101,274 pontos, após atingir 101,398 pontos. O indicador estava nos maiores níveis desde julho, com alta de mais de 1% na semana e de quase 2% no mês.
Juros americanos e cenário doméstico
Dados recentes reforçaram as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros. Os índices de gerentes de compras dos Estados Unidos vieram acima das expectativas em setembro, os pedidos semanais de auxílio-desemprego ficaram abaixo do esperado e as vendas de moradias novas superaram as projeções em agosto.
As presidentes dos distritos do Fed em Cleveland e na Filadélfia, Beth Hammack e Anna Paulson, defenderam uma postura mais dura contra a inflação. O sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, afirmou que a economia e o emprego não precisam de juros baixos e citou a inflação americana acima da meta há cinco anos.
No cenário político brasileiro, o sócio da Valor Investimentos, Marcel Lima, avaliou que diminuiu o otimismo com uma possível vitória da oposição. Ele associou o movimento à estagnação das intenções de voto de Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas. Operadores também relacionaram as máximas do dólar, na casa de R$ 5,20, à divulgação de informações sobre contatos do senador com Daniel Vorcaro, quatro dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado.



