A XP avalia que a Sanepar tem baixa probabilidade de contar com um processo de privatização no curto prazo e reduziu a recomendação para as units SAPR11 de compra para neutra. O preço-alvo foi fixado em R$ 45,80 por unit até o fim de 2027, com potencial de alta de 33% em relação ao último fechamento.
A corretora considera que faltam catalisadores para os próximos 6 a 12 meses e que o papel perdeu atratividade diante de outras empresas do setor. O cenário de crescimento mais moderado dos lucros também limita o interesse pelo ativo nesse período.
Privatização e créditos tributários
A análise foi assinada por Raul Cavendish, Bruno Vidal e Ana Clara Ribeiro. Segundo os analistas, a recomendação anterior dependia de duas possibilidades: a privatização da companhia e a retenção de 25% dos créditos tributários de R$ 4 bilhões conquistados pela Sanepar.
A XP agora considera que a retenção de 25% está mais próxima de um cenário otimista do que de sua projeção principal. A corretora também afirma que ainda não há condições para que uma privatização ganhe força no curto prazo.
Ao comparar processos recentes, a XP aponta que eles foram acompanhados por incentivos claros para reunir diferentes grupos interessados. No caso da Sabesp, a estratégia de investimento buscou antecipar a universalização para 2029, com apoio do governo estadual para reduzir a pressão tarifária. Na Copasa, a necessidade de recursos em Minas Gerais e preocupações com a qualidade do serviço ajudaram a impulsionar o processo.
Avaliação da empresa
Para a Sanepar, a XP diz que esse tipo de estímulo não aparece com a mesma intensidade. O banco considera que o Paraná tem contas públicas entre as melhores do País, que a participação do Estado na companhia é relativamente pequena, de cerca de R$ 2 bilhões, e que a expansão do esgoto é tratada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e do plano de investimentos da empresa.
A corretora afirma ainda que a população vê a Sanepar como uma boa prestadora de serviços. A privatização não foi totalmente descartada, mas a probabilidade é considerada baixa e o momento de eventual avanço é incerto.
Na avaliação financeira, a Sanepar negocia com taxa interna de retorno real de 14,2%, ante 11,4% da Sabesp e 14,4% da Copasa (CSMG3). O múltiplo do valor da firma sobre a base de ativos regulatórios está em 0,6 vez, abaixo do alvo de 0,7 vez.



