A conclusão do ensino superior esteve associada a um aumento de 110% no rendimento médio mensal bruto dos participantes da 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp. A renda passou de R$ 2,7 mil antes da graduação para R$ 5,8 mil depois do diploma.
O levantamento também mostra que 82% dos formados exercem alguma atividade. Entre os que têm trabalho remunerado, 77,1% atuam na área em que se formaram e 22,9% trabalham em outro campo. A falta de experiência foi apontada por 42,8% como a principal dificuldade para conseguir uma atividade remunerada.
A coleta reuniu respostas de 4.106 egressos vinculados a 200 instituições e 134 cursos de todo o Brasil. Os participantes foram ouvidos entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026. A amostra tem forte presença do ensino privado: 98,5% cursaram a graduação em instituições particulares.
Medicina lidera atuação na própria área
Medicina teve o maior percentual de formados trabalhando na área de formação, com 95,7%. Depois aparecem Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).
Na outra ponta, Gestão de Pessoas/RH registrou a maior proporção de profissionais atuando fora do campo de formação, com 42,2%. Em seguida estão Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%), Engenharia de Produção (26,1%), Logística (24,6%) e Biomedicina (24,3%).
Biomedicina e Marketing aparecem empatados entre os cursos com maior parcela de egressos sem atividade remunerada no momento da pesquisa, ambos com 34%. Também foram considerados, nesse recorte, apenas cursos com mais de 20 respostas.
Modalidade influencia inserção profissional
Entre os formados com atividade remunerada, 81,3% dos que fizeram graduação presencial trabalham na área do diploma. O índice foi de 75% entre os egressos do ensino semipresencial e de 58,4% entre os que estudaram a distância.
A pesquisa também aponta que 41,6% dos formados em cursos à distância trabalham em uma área diferente da graduação. Entre os egressos de cursos presenciais, essa proporção foi de 18,7%.
Do total de participantes, 53,3% cursaram a graduação com bolsa ou financiamento e 45,2% sem esses recursos. Além disso, 66% haviam concluído o curso havia menos de três anos.
Experiência é a principal dificuldade
Além da falta de experiência, citada por 42,8%, os participantes mencionaram salários baixos (29,6%) e falta de vagas na área de formação (26,2%). Também apareceram adaptação à rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e ausência de vagas em qualquer área (9,3%). Era possível escolher mais de uma alternativa.
Durante a graduação, 60,6% já exerciam atividade remunerada, 18,1% fizeram estágio remunerado ou não remunerado e 21,3% não trabalhavam. Nas respostas abertas, os participantes citaram falta de prática, poucos estágios e distância entre o conteúdo teórico e as exigências do trabalho.
Renda cresce com atuação na área e pós-graduação
A renda média bruta dos entrevistados foi de R$ 2,7 mil antes da formação e R$ 5,8 mil depois, crescimento de 110%. O estudo ressalta que a variação não pode ser atribuída somente ao diploma, pois também pode envolver experiência profissional, progressão na carreira e mudanças de ocupação.
Entre quem exerce alguma atividade, 29,1% recebem de R$ 3 mil a R$ 5 mil por mês e 22,5% estão na faixa de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Ao todo, 68,2% ficam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil.
Quem trabalha na própria área de formação aparece com maior presença nas faixas salariais elevadas: 55,9% recebem até R$ 5 mil, 34,3% ganham de R$ 5 mil a R$ 15 mil e 9,8% superam R$ 15 mil. Entre os que atuam fora da área, os percentuais são de 74%, 22,2% e 3,7%, respectivamente. Os dados indicam associação, mas não permitem afirmar que trabalhar fora da área cause renda menor.
A escolaridade também se relaciona à remuneração. A renda média mensal foi de R$ 4.630 para quem tinha a graduação como maior nível de escolaridade, R$ 6.684 entre os profissionais com pós-graduação lato sensu e R$ 9.262 entre aqueles com formação stricto sensu.
Diferença salarial entre mulheres e homens
Entre os participantes com atividade remunerada, a média salarial das mulheres foi de R$ 4.913, ante R$ 6.992 entre os homens. A diferença corresponde a 42,3%, segundo o levantamento.
Recebem até R$ 5 mil 70% das mulheres e 46,9% dos homens. Na faixa acima de R$ 15 mil, estão 4,8% delas e 12,4% deles. A pesquisa não incluiu respondentes de outros gêneros por causa do tamanho insuficiente da amostra.
Preparação para inteligência artificial
Quase metade dos participantes, 49,4%, afirmou que a inteligência artificial aumentou a produtividade ou transformou significativamente as atividades profissionais. Separadamente, 29,9% relataram aumento de produtividade e 19,5% disseram que a tecnologia mudou de forma significativa o trabalho. Outros 20,6% afirmaram que a IA exigiu novas competências.
Somente 27,8% avaliaram que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e inteligência artificial. Nesse grupo, 7,1% se consideraram plenamente preparados e 20,7%, parcialmente preparados. Já 26,5% receberam pouca preparação e 45,7%, nenhuma.
Entre as sugestões para as instituições de ensino estão mais estágios, atividades práticas, projetos reais, parcerias com empresas, programas de primeiro emprego, divulgação de vagas e orientação de carreira. Os participantes também pediram atualização dos currículos, preparação para entrevistas e uso prático de novas tecnologias.
O Instituto Semesp afirma que o diploma continua associado à mobilidade profissional e econômica, mas não elimina as barreiras de entrada no mercado nem encerra a necessidade de formação. A pesquisa também informa que seu objetivo é acompanhar inserção profissional, renda, satisfação com a carreira, desenvolvimento de competências e impactos do ensino superior.



