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Educação

OCDE compara salários, contratos e falta de professores na França e no Brasil

Dados mostram diferenças na estabilidade, no estresse e no gasto por estudante, apesar de desafios semelhantes nos dois sistemas educacionais.

OCDE compara salários, contratos e falta de professores na França e no Brasil
Foto: Abdul Saboor/Reuters

Professores franceses e brasileiros relatam insatisfação com os salários, mas a comparação entre os dois países revela diferenças importantes na jornada, nos contratos, nas fontes de estresse e na falta de profissionais. Os dados são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base na TALIS 2024 e no relatório Education at a Glance 2026.

Na França, 27% dos professores dos anos finais do ensino fundamental afirmaram estar satisfeitos com o salário. No Brasil, o índice foi de 22,3%, enquanto a média da OCDE chegou a 38,7%. A satisfação dos professores brasileiros aumentou quatro pontos percentuais desde 2018; entre os franceses, não houve mudança significativa em relação a 2018.

Em 2024, um professor da Educação Nacional francesa recebeu, em média, € 3.090 líquidos por mês. O valor cresceu 6,4% em relação ao ano anterior e teve aumento real de 4,3%, descontada a inflação. No Brasil, o piso salarial profissional nacional da educação básica pública foi estabelecido em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, com reajuste de 5,4% em 2026. Esse valor não corresponde necessariamente ao salário pago em todas as redes, já que estados e municípios têm planos de carreira próprios.

Contratos e jornada

A estabilidade é um dos pontos de maior contraste. Em 2024, 94% dos professores franceses dos anos finais do ensino fundamental tinham contrato permanente. No Brasil, eram 64%. O trabalho parcial também era mais frequente entre brasileiros: 72%, contra 16% na França. Pela classificação da TALIS, é considerado parcial o trabalho de até 90% da jornada integral.

A jornada total declarada pelos professores brasileiros aumentou 4,6 horas por semana entre 2018 e 2024. Mesmo com uma diferença pequena na jornada total em relação aos franceses, os brasileiros passam cerca de nove horas a mais por semana em atividades de ensino. A distribuição do tempo e o tipo de tarefa também influenciam a sobrecarga.

Estresse e falta de profissionais

Na França, os fatores de estresse mais citados foram acompanhar mudanças nas exigências das autoridades públicas, apontado por 62%; o excesso de trabalho administrativo, por 58%; e a adaptação das aulas para alunos com necessidades educacionais especiais, por 49%.

No Brasil, 66% mencionaram a responsabilidade pelo desempenho dos alunos, 64% citaram a manutenção da disciplina em sala de aula e 60% apontaram o excesso de correções.

A falta de professores pode ser medida de várias maneiras, como vagas não preenchidas, saída de profissionais, ausência de qualificações exigidas ou dificuldade para substituir docentes afastados. Em 2024/25, 9% dos professores brasileiros da educação básica pública não eram considerados plenamente qualificados, proporção próxima da média de 9,1% da OCDE.

Entre os profissionais plenamente qualificados, 10,3% deixaram a carreira no Brasil em 2022, considerando aposentadorias ou desligamentos. Na França, o percentual foi de 1,9% em 2023/24. Esses indicadores também são influenciados pela idade dos profissionais, pelo mercado de trabalho e pelas características de cada país.

Financiamento e aprendizagem

Em 2023, França e Brasil destinavam 4,5% do PIB à educação. O gasto por estudante, porém, era diferente: cerca de US$ 13,8 mil na França e US$ 4,1 mil no Brasil, considerando a paridade de poder de compra.

Na França, o orçamento de 2026 para a Educação Nacional aumentou € 200 milhões em relação a 2025 e previu quase 5,9 mil empregos adicionais. No Brasil, o financiamento da educação básica envolve União, estados e municípios, além de mecanismos como o Fundeb.

Os resultados de aprendizagem também não são iguais. Na França, o desempenho de estudantes de 15 anos no PISA 2025 caiu em matemática e leitura em relação a 2022, mas permaneceu próximo da média da OCDE. No Brasil, apenas 28% alcançaram ao menos o nível 2 de proficiência em matemática, contra 65% na média da OCDE. Em leitura, foram cerca de 49%, ante 69%; em ciências, 48%, ante 74%.

Os dados indicam que França e Brasil enfrentam problemas de valorização, condições de trabalho e falta ou ausência de professores, mas em contextos diferentes. A comparação não permite atribuir diretamente os resultados de aprendizagem às condições de trabalho docente, que também são influenciadas por fatores sociais, políticas educacionais, currículo, gestão e características das escolas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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