O Pisa 2025 registrou queda no desempenho médio dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas os resultados precisam ser analisados considerando quem participa da avaliação e em que etapa escolar esses estudantes estão.
A prova mede jovens de 15 anos matriculados a partir do 7º ano. Por isso, adolescentes que abandonaram a escola ou ainda cursam etapas anteriores não entram na população avaliada. O resultado representa uma parcela importante de uma geração, mas não todos os jovens dessa idade.
Na América Latina, a ampliação do acesso e da permanência na escola também altera a composição dos participantes. Quando mais estudantes avançam sem grandes diferenças entre idade e série, grupos historicamente vulneráveis passam a ser incluídos. Esse processo pode influenciar a média e esconder avanços do sistema educacional, já que a avaliação passa a representar uma população mais ampla.
O que o Pisa consegue medir
Aos 15 anos, os estudantes brasileiros estão, em geral, nos anos finais do ensino fundamental ou no primeiro ano do ensino médio, conforme a trajetória escolar. Assim, melhorias feitas no ensino médio ainda não aparecem no resultado, porque os alunos são avaliados antes de chegar a essa etapa.
O mesmo vale para mudanças recentes nos primeiros anos da educação básica. Considerando a alfabetização aos sete anos, como definido no Brasil, os estudantes avaliados aos 15 anos passaram por essa fase oito anos antes. Melhorias mais novas, portanto, podem não ser captadas pelo Pisa.
Mesmo com essas limitações, os resultados de 2025 mostram uma redução entre os 35 países da OCDE com dados comparáveis. Desde 2022, a média caiu três pontos em ciências, 14 em leitura e nove em matemática.
Os estudantes tinham cerca de 10 ou 11 anos quando as escolas foram fechadas durante a pandemia. Naquele período, estavam em uma fase importante da consolidação das aprendizagens básicas. O resultado combina os efeitos dessa interrupção com problemas anteriores e com a capacidade de cada sistema de recuperar conteúdos.
Desempenho na América Latina
Entre os seis países onde atua o Instituto Natura, o Chile continuou com o melhor desempenho, embora tenha perdido 12 pontos em leitura e nove em matemática desde 2022. O Peru recuou 18 pontos em leitura e nove em matemática.
Colômbia e México alcançaram 414 pontos em ciências e mantiveram estabilidade nessa área desde 2015. Os dois países, porém, tiveram perdas recentes em leitura ou matemática. A Argentina registrou queda nos três campos avaliados e chegou a 393 pontos em ciências, o menor resultado entre os países do grupo.
No Brasil, a pontuação foi de 409 pontos em ciências. Em relação a 2022, leitura e matemática permaneceram estatisticamente estáveis. Desde 2015, a OCDE classifica como estatisticamente estável o desempenho brasileiro nas três áreas.
O nível de aprendizagem continua baixo e insuficiente. Ao mesmo tempo, a cobertura do Pisa cresceu quatro pontos percentuais no período. Entre os países analisados pela OCDE, o Brasil foi o único a reunir estabilidade nas três áreas e expansão da cobertura.
A manutenção da média enquanto uma parcela maior e mais vulnerável da população passa a ser representada reforça a necessidade de priorizar os anos finais do ensino fundamental. A avaliação internacional continua sendo uma referência, mas sua interpretação ganha precisão quando é combinada a indicadores que acompanham toda a trajetória escolar e ajudam a localizar as etapas em que a aprendizagem se perde.



