O Brasil manteve no Pisa 2025 resultados próximos aos das edições anteriores, mas ficou abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três áreas avaliadas: ciências, matemática e leitura.
Entre 2022 e 2025, a pontuação média brasileira aumentou 6 pontos em ciências e caiu 2 pontos em matemática e 2 pontos em leitura. A metodologia da avaliação considera que oscilações dessa dimensão podem estar dentro da margem de erro amostral. Por isso, não é possível afirmar que houve mudança real no desempenho dos estudantes.
A maior parte dos alunos não alcançou o nível 2 de proficiência, considerado pela OCDE o patamar básico para a participação plena na sociedade. Em ciências, 48% chegaram ao nível 2 ou superior; em matemática, foram 28%; e, em leitura, 49%.
Desempenho por área
Ciências foi a área prioritária do Pisa 2025. O nível 2 exige que o estudante reconheça explicações corretas para fenômenos científicos familiares, use esse conhecimento em situações simples, avalie conclusões com base em dados e diferencie explicações científicas de não científicas. No Brasil, 48% atingiram esse patamar, que corresponde a uma pontuação mínima de 410, ante 74% na média da OCDE. Em 2022, eram 45%.
Nos níveis 5 e 6, os mais altos, 1% dos estudantes brasileiros alcançou o desempenho esperado, contra 7% na média da OCDE. As tarefas exigem o uso autônomo de conhecimentos científicos em problemas complexos e situações que podem não ser familiares.
Em matemática, 28% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou superior, ante 65% na média da OCDE. Em 2022, eram 27%. Nesse nível, o aluno consegue representar matematicamente uma situação simples do cotidiano, como comparar a distância total de duas rotas ou converter preços para outra moeda. Nos níveis 5 e 6, praticamente nenhum brasileiro atingiu o patamar, contra 8% na média da OCDE.
Em leitura, 49% alcançaram o nível 2 ou superior, ante 69% na média da OCDE. Em 2022, eram 50%. O estudante nesse nível consegue identificar a ideia principal de um texto de comprimento moderado, localizar informações específicas e refletir sobre conteúdo, forma e propósito quando recebe orientações explícitas. No nível 5 ou superior, 1% dos brasileiros atingiu o desempenho, contra 6% na média da OCDE.
O resultado também varia conforme a condição socioeconômica. Em ciências, a diferença entre os 25% de estudantes brasileiros mais ricos e os 25% mais pobres foi de 96 pontos, acima dos 85 pontos registrados na média da OCDE.
Como são as questões
O Pisa avalia se o estudante consegue aplicar o que aprendeu em situações do mundo real, inclusive quando elas não aparecem da mesma forma em uma aula ou exercício tradicional. As questões pedem interpretação de informações, análise de dados e aplicação de conhecimentos para chegar a uma conclusão.
Em um exemplo de ciências, o aluno assume o papel de prefeito de uma cidade fictícia que precisa escolher uma fonte de energia para substituir um gerador a diesel. Para isso, compara gráficos de geração e custo de opções eólica, solar, hidrelétrica e a gás.
Entre os itens liberados pela OCDE estão uma questão de nível 2 sobre a fonte mais confiável para informações sobre fast fashion e outra, de nível 6, que pede a justificativa dessa confiabilidade. Também há perguntas sobre por que o relâmpago é visto antes do trovão, um benefício ambiental da energia eólica, o efeito do aumento da população da mosca-soldado-negro e o grupo de espécies com maior risco de extinção.
Em outro item, de nível 5, o estudante precisa identificar problemas provocados pela falta de energia, como acidentes de trânsito sem semáforos, riscos para pacientes em suporte de vida, falta de iluminação e perda de alimentos por falhas na refrigeração.



