RIO DE JANEIRO — Flamengo e Paolo Guerrero chegaram a um acordo para encerrar dois processos judiciais relacionados à passagem do atacante pelo clube. O entendimento foi comunicado à Justiça do Rio de Janeiro na segunda-feira (14), após oito anos de disputa.
Os valores e os demais termos não foram divulgados. Uma das ações envolvia cobrança de R$ 200 mil por danos morais contra Guerrero e a Federação Peruana de Futebol. No outro processo, o Flamengo buscava aproximadamente R$ 1,8 milhão por despesas do período em que o jogador ficou suspenso por doping.
A negociação avançou poucos dias depois de a defesa de Guerrero acusar o clube de tentar se “vingar” do atacante por não ter conseguido renovar o contrato antes da transferência para o Internacional, em 2018. Em uma manifestação apresentada à Justiça, os advogados afirmaram que o Flamengo tentava atribuir ao jogador prejuízos econômicos ligados à suspensão.
Entre os impactos citados pelo clube estavam perdas de premiações, redução no número de associados, queda nas vendas, prejuízos com ingressos e efeitos sobre contratos de patrocínio. A defesa de Guerrero sustentou que a cobrança seria uma forma de retaliação pela saída do atleta e classificou a conduta do Flamengo como “absoluta e inequívoca má-fé”.
Processos relacionados à suspensão
Na ação por danos morais, a tramitação demorou porque os endereços dos réus ficavam no Peru. O Flamengo apresentou pedidos à Justiça peruana para viabilizar o cumprimento dos procedimentos determinados no Brasil. Com o acordo, os advogados do clube comunicaram a desistência do processo.
O segundo caso envolvia a cobrança de aproximadamente R$ 1,8 milhão, valor que o Flamengo relacionava aos gastos durante os 120 dias de suspensão. O clube também alegava prejuízos à sua imagem e a impossibilidade de utilizar direitos de imagem previstos no contrato.
O Flamengo sofreu derrotas em diferentes instâncias e foi condenado a pagar honorários advocatícios equivalentes a aproximadamente 10% do valor da causa, ou cerca de R$ 180 mil. O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília. No fim de agosto, as partes informaram que negociavam um acordo e pediram a suspensão do julgamento.
A disputa começou após Guerrero testar positivo para um metabólito da cocaína, quando ainda defendia o Flamengo. Ele recebeu suspensão de 14 meses da Corte Arbitral do Esporte, embora tenha conseguido atuar durante parte do período por causa de um efeito suspensivo.
A defesa afirmou que o consumo da substância não foi intencional e que Guerrero havia tomado um chá indicado por uma nutricionista ligada à Federação Peruana enquanto estava com a seleção. Os advogados também disseram que o próprio Flamengo reconheceu, em determinado momento, possível responsabilidade da estrutura da federação pelo episódio.
Guerrero deixou o Flamengo em agosto de 2018, após não renovar o contrato, e acertou com o Internacional. Pelo clube carioca, disputou 115 partidas, marcou 43 gols e conquistou o Campeonato Carioca de 2017. No Internacional, foram 72 jogos e 32 gols, sem títulos. Com o acordo, a disputa judicial caminha para o encerramento definitivo.



