Empresas brasileiras distribuíram cerca de US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre de 2026, alta de 12,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são do índice global de dividendos e recompras da Janus Henderson e consideram uma métrica ajustada por efeitos cambiais, dividendos extraordinários e diferenças no calendário de pagamentos.
A JBS (JBSS32) apareceu entre os destaques. O dividendo por ação da companhia passou de US$ 0,35 no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,00 no mesmo período de 2026.
Na América Latina, as empresas distribuíram cerca de US$ 11,5 bilhões em dividendos no trimestre, crescimento de 1,7%. O Brasil ficou à frente do México, que distribuiu US$ 3,4 bilhões.
Pagamentos no mundo
No cenário global, as 1.500 maiores empresas acompanhadas pelo índice pagaram US$ 706,7 bilhões em dividendos no segundo trimestre. As recompras de ações somaram US$ 533,4 bilhões no período.
A Saudi Aramco liderou o ranking de maiores pagadoras e respondeu sozinha por 3,1% dos dividendos distribuídos pelas empresas do índice. Nestlé, HSBC, Allianz e Microsoft vieram na sequência. Entre as 20 maiores pagadoras também estavam NVIDIA, Tencent, Toyota, Exxon Mobil, JPMorgan Chase, Sanofi, AXA e Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC).
As instituições financeiras foram responsáveis pelo maior volume setorial, com US$ 239,7 bilhões em dividendos, cerca de um terço do total pago pelas empresas do índice. O crescimento dos pagamentos do setor foi de 8,1%.
A tecnologia distribuiu US$ 70,5 bilhões em dividendos e teve o maior avanço percentual, de 23,5% em termos subjacentes. A NVIDIA elevou o dividendo por ação de US$ 0,01 para US$ 0,25. A Janus Henderson ressaltou, porém, que o rendimento de dividendos da empresa continua baixo.
Recompras avançam mais
Os dividendos globais cresceram 7,3%, enquanto as recompras de ações aumentaram 26,8%, para uma estimativa de US$ 572 bilhões. No setor de tecnologia, foram cerca de US$ 121,1 bilhões em recompras, contra US$ 70,5 bilhões em dividendos. Entre as empresas financeiras, as recompras somaram US$ 104 bilhões.
De acordo com a Janus Henderson, as recompras oferecem mais flexibilidade às empresas. Dividendos regulares criam uma expectativa de continuidade e são mais difíceis de reduzir, enquanto as recompras podem ser ajustadas conforme a situação financeira.
O levantamento considera dividendos brutos, incluindo pagamentos regulares e extraordinários. Por isso, um pagamento excepcional pode aumentar o total distribuído em um trimestre sem representar necessariamente um novo padrão para os anos seguintes. A avaliação de um investimento também envolve a recorrência dos pagamentos, a geração de caixa, o endividamento, o lucro e a relação entre o dividendo e o preço da ação.



