SÃO PAULO — Familiares e amigos das seis pessoas que morreram no desabamento de um prédio sobre uma casa, na Penha, Zona Leste de São Paulo, fizeram uma cerimônia em frente ao imóvel atingido. O local foi usado para as últimas homenagens às vítimas.
O acidente aconteceu na Rua Tequeci. Oito pessoas estavam na casa quando foram atingidas pela estrutura. Duas foram resgatadas com vida. Entre os mortos estão três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos.
Até a noite desta segunda, cinco das seis vítimas haviam sido identificadas, conforme a Secretaria da Segurança Pública. O corpo de um homem de nacionalidade paraguaia havia sido liberado, enquanto outra vítima ainda aguardava identificação.
Investigação e prisões
Após audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão temporária de Ronaldo Vivacqua. A Polícia Civil aponta que ele seria sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra. Outros dois investigados tiveram a prisão temporária decretada: Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo, apontado como autor do projeto e engenheiro responsável pela execução, e Isis Brandão, que aparece formalmente como proprietária da empresa.
Cristiano e Isis eram considerados foragidos até a publicação das informações. Segundo a Polícia Civil, Ronaldo não aparece nos documentos das duas empresas, mas depoimentos e documentos antigos indicariam que ele administrava a empresa e participava da obra.
“Nós descobrimos que ele, na realidade, é um sócio oculto”, afirmou a delegada Safira Borges Moreira Parente. A polícia também informou que Ronaldo negou, em oitiva preliminar, ter envolvimento com a construtora.
A prisão foi solicitada porque os investigados não teriam se apresentado às autoridades desde o começo da apuração. De acordo com Antônio José Pereira, delegado seccional de Itaquera, policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável após o desabamento, mas não conseguiram. Equipes também foram a endereços ligados às empresas, encontrados em registros administrativos e da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
A Polícia Civil afirma ter identificado indícios de uma tentativa de ocultação. A participação de cada investigado ainda será individualizada no inquérito.
Histórico da obra
A administração municipal informou que a Subprefeitura Penha havia feito fiscalizações, aplicado multas e determinado a interdição da obra. Uma das multas chegou a R$ 119 mil.
O responsável pela construção havia pedido um alvará em 2019, mas o município indeferiu a solicitação. Depois do descumprimento reiterado das medidas de fiscalização, a Justiça concedeu uma liminar para interromper as obras.
Em 2022, um novo projeto foi apresentado à prefeitura. Em agosto de 2023, o município emitiu um alvará para a nova construção, com a exigência expressa de demolição da estrutura anterior.
A Polícia Civil afirma que essa condição não foi cumprida. A prefeitura abriu uma investigação na Controladoria Geral do Município (CGM). Segundo as apurações preliminares, a demolição não teria sido realizada, embora uma vistoria de fevereiro de 2024 tivesse registrado que a determinação havia sido cumprida.
A polícia também apura se os responsáveis conheciam problemas de estabilidade antes do desabamento. Vizinhos disseram aos investigadores que a casa já apresentava rachaduras. A causa do acidente ainda não foi definida e depende, entre outras provas, do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica.
Defesa
O advogado das empresas negou que Ronaldo exercesse função de direção ou fosse sócio oculto da construtora. Segundo a defesa, ele apenas acompanhava o filho, Cristiano, responsável técnico pela obra. O advogado classificou as prisões temporárias como prematuras e informou que pediria a revogação da prisão de Ronaldo.
A defesa também negou que Cristiano e Isis tentassem se esconder. Segundo o advogado, os dois estavam no estado de São Paulo e deveriam se apresentar espontaneamente à polícia nos próximos dias. Ele afirmou ainda que a obra estava regular e que uma decisão de 6 de março de 2025 havia revertido a ordem de demolição após uma vistoria da prefeitura.
A New Home Construtora informou que abriu uma investigação interna e disse que ainda não havia elementos suficientes para determinar a causa do desabamento. A empresa afirmou que não se exime de eventual responsabilidade apontada pelas investigações, que apoia as famílias afetadas e que prestará esclarecimentos às autoridades.



