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Engenheiro apontou risco de colapso antes de prédio cair em São Paulo

Depoimento à Controladoria do município relata rachaduras, falhas no projeto e negociação de reparos que não avançou.

Engenheiro apontou risco de colapso antes de prédio cair em São Paulo
Foto: Reprodução/TV Globo

O engenheiro Fabio José de Oliveira afirmou à Controladoria-Geral do Município de São Paulo que identificou rachaduras, falhas nas escadas e risco de colapso no prédio da Rua Tequici, na Penha, antes do desabamento que matou seis pessoas. O depoimento foi prestado em 18 de setembro, onze dias após a queda do edifício.

Oliveira contou que foi procurado por um representante da Construtora New Home para elaborar um orçamento técnico e adequar o imóvel às exigências necessárias para obter o Habite-se da Prefeitura de São Paulo. A vistoria ocorreu em fevereiro deste ano.

Segundo o engenheiro, a construção apresentava diferenças em relação ao alvará aprovado. Havia muitas rachaduras internas, e as escadas tinham trechos estreitos que não atendiam às normas do Corpo de Bombeiros. O prédio também tinha 50 apartamentos, embora o projeto registrado na prefeitura previsse 39.

Durante a inspeção, Oliveira disse ter percebido que a estrutura “puxava uma das casas e empurrava outra”. A residência atingida pelo desabamento já tinha rachaduras nos muros. O engenheiro recomendou que a família deixasse o imóvel enquanto os reparos fossem feitos e afirmou que a calçada também apresentava fissuras.

O prédio havia recebido reforços estruturais, mas, na avaliação dele, as intervenções não eliminavam o risco. Oliveira iniciou uma negociação com a New Home e apresentou um orçamento de R$ 1,5 milhão, com possibilidade de chegar a até R$ 5 milhões. A empresa informou que tinha R$ 670 mil disponíveis. O acordo não avançou, e o engenheiro disse que não voltou a ser procurado por Mateus Barbosa Jardins, representante da construtora.

Servidora deixa cargo de chefia

A Prefeitura de São Paulo exonerou Viviane Rodrigues de Palma da função de Chefe de Unidade I da Subprefeitura da Penha. A administração informou que a medida se refere ao cargo de chefia e não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dela no caso. Viviane continua no quadro da prefeitura, mas está afastada cautelarmente por até 120 dias.

A Controladoria apura a atuação de agentes públicos relacionados ao prédio. Em 2024, Viviane autorizou a continuidade das obras. Em depoimento, afirmou que vistoriou o imóvel apenas pelo lado de fora. No relatório feito após a inspeção, porém, registrou que a obra estava na fase final da estrutura e que a demolição determinada pela prefeitura havia sido cumprida integralmente.

Também está em fase final de instrução um inquérito administrativo aberto em 2025 pela Procuradoria-Geral do Município. A prefeitura analisa documentos apresentados pela defesa antes das razões finais, do relatório e da decisão da autoridade competente.

Investigação e vítimas

Cristiano Salgado Vivaqua, engenheiro responsável pela execução da obra, e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, representante legal da New Home, são procurados pela Polícia Civil desde o desabamento. Segundo a polícia, os dois estão foragidos há dez dias. A defesa havia afirmado que eles se entregariam, o que ainda não ocorreu.

O caso é investigado em duas frentes: uma apura as circunstâncias da queda do prédio, e outra verifica possíveis golpes contra compradores de imóveis das construtoras New Home e Hastiforme. Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da New Home, está preso. Cristiano e Isis foram indiciados por homicídio com dolo eventual, assim como Ronaldo. A servidora Viviane também deve ser indiciada, segundo a Polícia Civil.

Oito pessoas estavam na residência quando o prédio caiu, e seis morreram. Entre as vítimas estava Ana Lucia Ruiz Romero, de 38 anos, cujo corpo foi levado para o Paraguai. Uma menina de 7 anos foi enterrada na capital. O corpo da mãe dela e os de outras três vítimas foram levados para a Bolívia.

A prefeitura retirou parte dos escombros da Rua Tequici. No local, permaneceu parte de um caminhão que estava diante da casa atingida; da residência, não restou nada.

Compradores relatam prejuízos

Cerca de 20 clientes acusam a construtora de estelionato por não entregar imóveis prometidos desde 2023 e por não devolver valores pagos. Eles calculam prejuízos superiores a R$ 4 milhões. Os compradores afirmam que diferentes obras foram embargadas porque os empreendimentos começaram sem o alvará de construção aprovado.

O comerciante Alexandre Viveiros processa a New Home após pagar mais de R$ 380 mil de suas economias por um sobrado que custava R$ 650 mil e não foi entregue. A obra, prevista para terminar no fim de 2024, foi embargada pela Justiça de São Paulo por apresentar riscos a uma escola infantil vizinha.

A escola relatou à Justiça rachaduras no outro lado do muro e risco para as crianças. Um laudo particular e decisões da Prefeitura de São Paulo apontaram problemas de segurança. Em 3 de abril de 2025, a juíza Vivian Bastos Mutschaewski determinou o embargo liminar da construção.

Erick Cosme relatou ter pago cerca de R$ 200 mil por uma casa de R$ 650 mil, com entrega prevista para o fim de 2024. A arquiteta Caroline Brito afirmou que ela e o marido pagaram R$ 240 mil por um sobrado comprado em 2022, que nunca foi entregue.

As construtoras são relacionadas a empreendimentos em oito endereços da Zona Leste. Cinco constam na relação de obras embargadas: Rua Jaborandi, 68; Avenida Padres Olivetanos, 455; Rua Colatina, 577; Rua Guaiaúna, 369; e Rua Padre João, 685. Outros três endereços ainda não tiveram os alvarás suspensos: Rua General Dias, 274; Rua Amaro Bezerra Cavalcanti, 435; e Rua Ubajara, 120.

Prefeitura suspende 29 empreendimentos

A Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação de 29 empreendimentos ligados à New Home e à Hastiforme. Do total, 21 estão vinculados à New Home e oito à Hastiforme. Apenas oito tinham alvará deferido; os demais estavam indeferidos, em tramitação ou pendentes de regularização administrativa.

A medida cautelar foi determinada pela Controladoria-Geral do Município enquanto são apuradas as causas do desabamento e as possíveis responsabilidades. A prefeitura também prevê vistorias extraordinárias nos canteiros ativos, com participação das subprefeituras e da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento.

O prédio da Rua Tequici já tinha histórico de fiscalizações, multas e ação judicial para demolição de uma obra considerada irregular. Uma das multas chegou a R$ 119 mil. Em 2022, foi apresentado um novo projeto para o terreno, e o alvará concedido em 2023 exigia a demolição de uma estrutura existente com cerca de seis pavimentos.

A Controladoria e a Polícia Civil investigam se essa exigência foi cumprida e se os responsáveis conheciam problemas estruturais antes da queda. As causas do acidente ainda dependem de laudos periciais. A New Home informou que permanece à disposição das autoridades e presta apoio às famílias. A defesa de Cristiano e Isis disse que eles pretendem se apresentar e negou que estejam foragidos, alegando que os dois se afastaram por questões de segurança após receberem ameaças.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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