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Ex-dirigente da Fazenda de SP escolheu fiscais para revisar caso Ultrafarma e FastShop

André Weiss foi preso na Operação Caldarium e é citado em investigação sobre propinas e movimentações financeiras incompatíveis com seu salário.

Ex-dirigente da Fazenda de SP escolheu fiscais para revisar caso Ultrafarma e FastShop
Foto: Reprodução

André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), escolheu os fiscais que formariam o grupo responsável por revisar processos ligados ao ressarcimento de ICMS no caso envolvendo Ultrafarma e FastShop. Ele foi preso nesta quinta-feira (3), durante a Operação Caldarium, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Weiss ocupava o posto de número 3 da Sefaz-SP na gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). De acordo com a investigação, ele nomeou, em 14 de agosto de 2025, oito fiscais para revisar processos, protocolos e regras relacionados ao ressarcimento do ICMS retido por substituição tributária das duas empresas.

Entre os escolhidos estava Arthur Rafael Gatti Alvares, também citado em apurações sobre fraudes tributárias na secretaria. Os promotores afirmam que, em outubro de 2025, após a Operação Ícaro prender Arthur da Silva Neto, conhecido como Rei Artur, Gatti contou ao fiscal Valmir Lucas que Daniel Makita estava preocupado com o avanço das investigações.

A preocupação, segundo o MP-SP, estava relacionada ao processamento irregular de pedidos de ressarcimento de empresas que poderiam ser revisados pelo grupo de trabalho formado por Weiss.

Delação e conversa gravada

O ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como PP, delatou Weiss como alguém que teria conhecimento do esquema de propinas na Sefaz-SP. Em julho, PP firmou acordo de delação premiada com o MP-SP em uma investigação sobre pagamentos de propina por empresas dentro da secretaria.

PP é ligado aos auditores Artur Gomes da Silva Neto, o Rei Artur, e Alberto Toshio Murakami, chamado de Americano. Os dois são investigados no esquema relacionado à Ultrafarma e à FastShop.

No celular de Rei Artur, os promotores encontraram o áudio de um almoço de negócios gravado pelo próprio investigado. Weiss e Arthur Gatti participavam da conversa, realizada em 27 de julho de 2023.

Durante o diálogo, um dos participantes afirmou: "Se eu comprar uma Mercedes... eu não vou comprar uma Mercedes seminova... 250 pau uma Mercedes, né... se você aparece na Delegacia, cara... isso aí vai sair no jornal". Depois, acrescentou: "Você é algemado... chega um promotor pra me prender na hora lá."

Para o MP-SP, o conteúdo indica que a corrupção na Secretaria da Fazenda era uma prática disseminada e tratada como motivo de piada entre agentes fiscais. A conversa ocorreu menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada por Paulo Sérgio Siqueira Prado.

Bens e movimentações financeiras

Os promotores também afirmam que Weiss ocultava endereço e patrimônio. Segundo a investigação, não havia dados de consumo registrados em seu nome, enquanto essas despesas apareciam em nome da esposa, Beatriz Sbrissa Lucafó.

No nome de Beatriz, foram identificados imóveis nas cidades de São Pedro, Piracicaba, Jundiaí e Rio das Pedras. Conforme a denúncia do MP-SP, parte deles foi paga em dinheiro.

O relatório cita movimentações bancárias consideradas atípicas e incompatíveis com o salário de Weiss na Secretaria da Fazenda: cerca de R$ 1,6 milhão no Santander, em dezembro de 2021; cerca de R$ 2,6 milhões no Banco do Brasil, em maio de 2023; e mais de R$ 2,4 milhões na Caixa Econômica Federal, em novembro de 2023.

A investigação afirma que os valores seriam coerentes com o recebimento de cerca de R$ 4,5 milhões em propinas entregues em mochilas. Também aponta o uso de familiares e da companheira para ocultar patrimônio.

Inventário do pai

Os promotores encontraram ainda um inventário de Eugen Weiss, pai de André, encerrado em 17 de julho de 2023 no 2º Tabelião de Notas. O documento registra André como herdeiro e aponta R$ 99,9 milhões em bens repassados a ele.

A investigação considera o valor incompatível com o perfil de Eugen, descrito como engenheiro aposentado, pesquisador do IPT e escritor. O documento afirma: "É uma trajetória incongruente com um espólio de cem milhões de reais".

O cartório comunicou ao COAF que o inventário tinha valor de R$ 579 mil e valor fiscal de R$ 223 mil. Para os promotores, a diferença indica que o inventário pode ter sido superavaliado para dar aparência legal a recursos de origem ilícita.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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