SÃO PAULO — Um inventário de R$ 99,9 milhões envolvendo a herança recebida por André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), entrou no radar do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) durante a investigação que levou à prisão dele nesta quinta-feira (3), na Operação Caldarium.
O procedimento foi encerrado em 17 de julho de 2023, no 2º Tabelião de Notas, e registrou André Weiss como herdeiro de Eugen Weiss. Para os promotores, o patrimônio atribuído ao pai não seria compatível com o perfil dele, descrito como engenheiro aposentado, pesquisador do IPT e escritor.
"É uma trajetória incongruente com um espólio de R$ 100 milhões", afirma o documento do MP-SP.
Diferença nos valores
A investigação encontrou uma divergência entre o inventário e a comunicação feita pelo cartório ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao concluir o procedimento, o cartório informou ao órgão o valor de R$ 579 mil, com valor fiscal de R$ 223 mil.
O MP-SP considera que o inventário pode ter sido superavaliado para dar aparência legal à origem de recursos. A apuração trata o caso como parte dos elementos usados para investigar o patrimônio de Weiss e a possível ocultação de endereço e bens com ajuda de familiares.
André Weiss ocupava o terceiro posto na Sefaz-SP durante a gestão de Tarcísio de Freitas e foi responsável por escolher o grupo técnico que revisaria isenções ligadas ao caso Ultrafarma e FastShop. Em 14 de agosto de 2025, ele nomeou oito fiscais para revisar processos, protocolos e regras relacionados ao ressarcimento do ICMS retido por substituição tributária.
Entre os nomeados estava Arthur Rafael Gatti Alvares, citado nas investigações sobre fraudes tributárias na secretaria. O MP-SP também encontrou, no celular de Arthur da Silva Neto, o Rei Artur, um áudio de um almoço de negócios com a participação de Gatti e Weiss.
Na gravação, feita em 27 de julho de 2023, Weiss fala sobre o risco de chamar atenção ao comprar uma Mercedes e ser visto na delegacia. A conversa ocorreu menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada por Paulo Sérgio Siqueira do Prado, ex-auditor fiscal que firmou acordo de delação premiada com o MP-SP.
Patrimônio e movimentações financeiras
Os promotores afirmam que Weiss teria usado a esposa, Beatriz Sbrissa Lucafó, para registrar bens e despesas. No nome dela, foram identificados imóveis em São Pedro, Piracicaba, Jundiaí e Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Alguns pagamentos teriam sido feitos em dinheiro em espécie, conforme a denúncia.
A investigação também registra movimentações bancárias consideradas incompatíveis com o salário de Weiss na Secretaria da Fazenda: cerca de R$ 1,6 milhão no Santander, em dezembro de 2021; cerca de R$ 2,6 milhões no Banco do Brasil, em maio de 2023; e mais de R$ 2,4 milhões na Caixa Econômica Federal, em novembro de 2023.
Segundo os promotores, os valores seriam coerentes com a colaboração que relata o recebimento de cerca de R$ 4,5 milhões em propinas entregues em mochilas. A apuração afirma ainda que Weiss teria recorrido à companheira, a familiares, ao pai falecido e à filha para proteger patrimônio e informações pessoais.



