O Brasil chegou a cerca de 8 mil lavanderias de autoatendimento até 15 de setembro, contra aproximadamente 1.500 unidades em 2022. O avanço, de pouco mais de 430%, inclui estabelecimentos abertos ao público e espaços compartilhados em condomínios, segundo a Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel).
A expansão é associada ao crescimento das áreas urbanas, à redução do tamanho dos apartamentos e à busca por praticidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao Censo de 2022, indicam que 87% da população vive em áreas urbanas. Nessas regiões, a área destinada a moradias e comércios cresceu 12,3%.
A falta de espaço para instalar máquina de lavar e varal também favoreceu o serviço. As lavanderias passaram de negócios tradicionais e familiares para modelos tecnológicos e franqueados, com operação sem atendente. A proposta se popularizou entre as classes B e C.
Expansão e faturamento
O modelo começou no Rio de Janeiro e depois avançou para São Paulo. Othon Barcellos, presidente da Anel, projeta cerca de 10 mil unidades no país até 2030 e o triplo desse número até 2050.
O mercado de lavanderias movimentou R$ 6,2 bilhões em 2023, conforme a Associação Brasileira de Lavanderias (Abralav). Desde 2020, o crescimento médio anual informado pela entidade foi de 4,8%.
No segundo trimestre de 2026, o segmento de Limpeza e Conservação, que inclui as lavanderias self-service, teve alta de 17,6% no setor de franquias em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Entre abril e junho, o faturamento informado foi de quase R$ 685 milhões.
A rede francesa 5àsec registrou faturamento de R$ 330 milhões no Brasil em 2025 e cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026. A LavPop, marca brasileira de autosserviço do Grupo Froth, teve alta de 78% entre janeiro e junho deste ano.
Em São Paulo, empresas do setor emitiram R$ 468,69 milhões em notas fiscais em 2024, alta de 18% sobre o ano anterior. Até agosto deste ano, o valor chegou a R$ 336,13 milhões, segundo a Secretaria Municipal da Fazenda.
Investimento e retorno
O custo para abrir uma lavanderia varia de R$ 70 mil a R$ 400 mil, conforme a rede e o tamanho do estabelecimento. A Abralav estima prazo médio de retorno entre 12 e 48 meses, com lucratividade potencial de até 60%.
Barcellos afirma que o faturamento depende da época do ano, da quantidade de máquinas, da localização e da qualidade da lavagem. O presidente da Anel também diz que os proprietários precisam trabalhar na operação.
Em São Paulo, Moema, Itaim Bibi, Higienópolis e Tatuapé já são apontados pela Anel como bairros saturados de estabelecimentos desse tipo.



