Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Sousa, afirmou que a autorização para importar o medicamento experimental ALN-6457 não foi resultado de privilégio. Segundo ela, a família conduziu o processo com apoio dos médicos que acompanham Lito e pretende explicar o caminho seguido para ajudar outras pessoas com doenças raras e sem alternativas de tratamento.
O pedido foi formalizado pelo Einstein Hospital Israelita, responsável pelo acompanhamento do influenciador, depois que ele foi aceito pela farmacêutica em um programa de uso compassivo. Esse mecanismo permite o acesso excepcional a medicamentos experimentais por pacientes com doenças graves que não têm opções terapêuticas disponíveis.
Mila disse que a família tentou inicialmente incluir Lito em um estudo, mas não conseguiu porque não havia mais vagas. Depois, entrou em contato com outra farmacêutica, apresentou o caso em uma reunião e obteve a liberação do uso compassivo.
“Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante”, afirmou.
Para fundamentar o pedido, a família reuniu exames, documentos científicos e informações fornecidas pela empresa. O processo envolveu a farmacêutica, o hospital, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. Mila também declarou que não houve uso de dinheiro público nem financiamento de terceiros.
O produto não tem registro comercial nem representante legal no Brasil. Ele permanece em estágio pré-clínico para doenças priônicas e ainda não foi testado formalmente em seres humanos. Por isso, a importação foi autorizada de forma excepcional.
Segundo a Anvisa, a análise considerou a evolução rápida e irreversível da doença, a falta de alternativas terapêuticas e a ausência de patrocinador ou representante responsável pelo produto no Brasil. Ainda não foram divulgados detalhes sobre a administração do medicamento ou o início do tratamento. A expectativa informada pela família era que o produto chegasse ao país em sete a nove dias.
Mila afirmou que pretende divulgar informações sobre os documentos, os órgãos envolvidos e a tramitação do pedido. Ela disse que a análise foi acelerada, mas que o processo levou cerca de uma semana, período que considerou angustiante diante da evolução da doença.
Lito tem 59 anos e deixou o Einstein na terça-feira (1º), após mais de 20 dias internado. Ele passou a receber cuidados paliativos em casa, com acompanhamento de enfermeiros e uma equipe multidisciplinar. A família afirma que isso não significa que ele esteja em fase terminal.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é rara, progressiva e não tem tratamento aprovado capaz de reverter ou interromper sua evolução. Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil confirmou 547 casos entre 2005 e 2021. Aproximadamente 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses.


