SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo informou nesta quinta-feira (17) que avalia uma intervenção na A2 Transportes. A empresa foi mencionada em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público que investiga a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo. A A2 não é alvo da operação realizada hoje.
A administração municipal criou um grupo de trabalho com representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município (CGM), da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. O grupo vai examinar os elementos reunidos na investigação, além de contratos, documentos e possíveis vínculos da empresa com o sistema municipal.
Em comunicado, a prefeitura afirmou que pretende adotar medidas administrativas e judiciais para proteger o interesse público e garantir a continuidade dos serviços. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que esperava tomar uma decisão ainda hoje e declarou que a operação não ameaça o transporte público da capital.
“Não tem empresas do setor operando hoje que estejam nessa operação”, afirmou Nunes. Segundo ele, um dos sócios da A2 foi citado e teve um pedido de prisão apresentado, mas a empresa não está incluída no processo. A análise deverá considerar aspectos jurídicos, técnicos e operacionais antes da decisão sobre uma possível intervenção.
A Justiça de São Paulo autorizou a prisão temporária de 16 investigados apontados como integrantes ou colaboradores de uma organização criminosa. A investigação apura se o grupo tentou assumir o controle de empresas de transporte público e influenciar contratos e licitações.
Entre os alvos estão Milton Leite (União Brasil), que ocupou a presidência da Câmara Municipal durante a legislatura de 2021-2024, e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito.
Na decisão, o desembargador Sérgio Ribas registrou que as apurações indicam que “12 das 22 empresas de transporte operando o sistema de transporte coletivo da capital são, em tese, controladas pelo PCC”.
A A2 aparece em conversas interceptadas pela polícia que, segundo a investigação, indicariam uma estrutura de infiltração do PCC em empresas de ônibus. Paulo Sirqueira Korek Farias, apontado como proprietário da A2, é alvo de mandado de prisão temporária. A investigação também o aponta como gestor de outras empresas e intermediário da facção no setor.
O advogado da A2 afirmou que Paulo Korek considera as suspeitas ilações e pretende prestar esclarecimentos. Ele também disse que o investigado estaria disposto a se entregar, mas queria comparecer à Corregedoria por ter informações a apresentar.
Julio Salvador Filho, diretor da A2, também teve a prisão temporária decretada. Conforme a decisão, ele seria interlocutor de investigados e participaria da autorização de pagamentos a pessoas apontadas como laranjas da organização.
A decisão cita ainda conversas sobre a venda de 63 ônibus da Translider por R$ 1.260.000, com movimentação de recursos por uma conta bancária da A2. Para a polícia, os diálogos reforçam a suspeita de que empresas de transporte eram usadas em negócios ligados ao grupo investigado.



