SÃO PAULO — A A2 Transportes afastou os dois diretores investigados na Operação Vectura Corrupta, informou nesta sexta-feira (18) Paulo Ricardo, representante do departamento jurídico da empresa. A companhia comunicou oficialmente a decisão à SPTrans.
O afastamento foi exigido pela Prefeitura de São Paulo como condição para que não fosse feita uma intervenção na empresa. A administração municipal havia dado 24 horas para a retirada dos gestores.
Investigação
Os executivos citados pelo Ministério Público de São Paulo são Júlio Salvador Filho, diretor da A2, que foi preso, e Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Paulo Camarão, gestor da empresa e presidente do Esporte Clube Água Santa. Farias é considerado foragido, segundo as informações do caso.
A investigação aponta suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de uso de empresas de transporte em negócios relacionados ao grupo criminoso. Farias é apontado como operador de interesses da facção no setor de transportes. Júlio Salvador Filho também teve a prisão temporária decretada e seria interlocutor de investigados ligados ao esquema.
A decisão judicial autorizou a prisão temporária de 16 investigados. Entre os alvos estão o ex-vereador Milton Leite e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito.
O caso também envolve conversas atribuídas a Farias sobre a venda de 63 ônibus da empresa Translider por R$ 1.260.000, com movimentação de recursos por uma conta bancária da A2. Para a polícia, os diálogos reforçam a suspeita de uso de empresas do setor para negócios ligados ao grupo investigado.
A Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho com representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para analisar os elementos reunidos na operação.
Posicionamento da empresa
A A2 Transportes nega envolvimento com o PCC, lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas. A empresa afirma que os recursos recebidos vêm exclusivamente de contratos e pagamentos da Prefeitura pelos serviços prestados.
Em nota, o presidente Paulo Siqueira Korek declarou: “A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro.” A empresa também informou que está à disposição das autoridades para apresentar documentos e prestar esclarecimentos.
O advogado da A2 afirmou que Paulo Korek considera as suspeitas ilações e pretende esclarecer os fatos. Segundo a defesa, ele estaria propenso a se entregar, mas gostaria de se apresentar na Corregedoria.



