SÃO PAULO — A defesa de Ana Hickmann contestou a informação de que a empresa ligada à apresentadora teria R$ 9,8 milhões disponíveis para pagar despesas processuais. O dado foi considerado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) ao rejeitar o pedido da Hickmann Serviços Ltda. para parcelar custas de uma ação movida pelo empresário Vagner de Oliveira.
A assessoria jurídica afirmou que os valores aparecem em documentos elaborados pela antiga contabilidade da empresa, durante a gestão de Alexandre Correa, ex-marido de Ana Hickmann. Segundo a defesa, os registros são questionados e não refletem a situação financeira atual da Hickmann Serviços.
A decisão foi proferida pela 17ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, em voto do desembargador Teodozio de Souza Lopes, com data de 21 de setembro de 2026. As custas do processo somam R$ 551 mil. A cobrança está relacionada a uma execução que, conforme os cálculos apresentados no caso, já supera R$ 3,7 milhões.
Argumentos da defesa
No recurso, a empresa alegou enfrentar uma grave crise econômico-financeira. A defesa atribuiu as dificuldades atuais a questões ligadas à administração anterior e afirmou que a situação compromete o pagamento de acordos, salários e a manutenção da família da apresentadora.
“Os frutos atuais da agravante vêm do trabalho exclusivo da Sra. Ana Hickmann, quais são quase que integralmente absorvidos pelo pagamento de dívidas, impostos (que também não eram pagos pela gestão anterior) e pelo sustento de sua família”, diz a defesa.
A assessoria também informou que a situação financeira e contábil da empresa é investigada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Contadores que atuaram no período mencionado já prestaram depoimento nas investigações, segundo a defesa.
A equipe jurídica declarou ainda que Ana Hickmann trabalha para reorganizar as finanças e resolver obrigações acumuladas durante a administração anterior. Conforme a assessoria, a apresentadora não participou daquela gestão nem tinha conhecimento da dimensão das dívidas.
Origem da cobrança
Vagner de Oliveira afirma que emprestou R$ 2,05 milhões à Hickmann Serviços. O vencimento estava previsto para março de 2023. A petição registra dois pagamentos parciais: R$ 2.750 e R$ 50 mil.
Com os encargos previstos no contrato, o empresário calculou que o débito chegou a R$ 3,7 milhões em março de 2026. Ele também pede que a cobrança seja direcionada a Ana Hickmann e a outras empresas, sob a alegação de que elas teriam concentrado atividades e recebíveis antes vinculados à Hickmann Serviços.
Oliveira aponta suposta confusão patrimonial, desvio de finalidade e sucessão empresarial. Essas alegações foram apresentadas pelo credor e não representam, neste julgamento, uma decisão definitiva da Justiça reconhecendo fraude.


