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Último morador deixa Favela do Moinho após 20 anos e casa é demolida

Manuel dos Santos saiu da comunidade, em São Paulo, enquanto o local será transformado em parque e poderá receber uma estação de trem.

Último morador deixa Favela do Moinho após 20 anos e casa é demolida
Foto: GloboNews

A Favela do Moinho deixou de ter moradores após a saída de Manuel dos Santos, o último residente da comunidade. A mudança ocorreu às 11 horas da manhã do dia 15 de setembro, depois de mais de 20 anos na casa que ele próprio construiu. Logo após a retirada dos pertences, a estrutura foi demolida.

Manuel, que trabalha como porteiro, viveu os últimos meses em meio às obras realizadas no terreno. Os imóveis eram derrubados conforme as famílias deixavam o local. Antes de sair, ele acompanhou a chegada do caminhão e a movimentação dos trabalhadores responsáveis pela demolição.

“É! Acabou Moinho!”, disse Manuel enquanto organizava a mudança. Ele escolheu um apartamento na região central da capital paulista e afirmou que esperava ter uma vida mais tranquila, mas também sentiria falta dos vizinhos, que se tornaram amigos.

Novo parque e estação de trem

A desocupação começou em abril de 2025 e foi concluída em setembro de 2026. A medida integra um projeto de revitalização do Centro de São Paulo. No lugar da comunidade, está prevista a construção do Parque do Moinho, com quadras poliesportivas, pista de skate e espaço pet.

O projeto também prevê uma estação de trem para atender as linhas 10-Turquesa e 11-Coral. A expectativa é que o local receba 25 mil passageiros por dia.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo, Marcelo Branco, afirmou que o parque faz parte de uma proposta mais ampla para recuperar áreas do centro e criar espaços de convivência para moradores e visitantes.

Aos moradores foi oferecido um imóvel quitado de até R$ 250 mil, em uma parceria entre os governos federal e do estado de São Paulo. Manuel foi o último a sair porque seu salário ultrapassava o limite inicialmente definido para o benefício. Segundo ele, após negociação, conseguiu receber o imóvel sem precisar financiá-lo.

Famílias reassentadas

A Favela do Moinho era a última comunidade de grande porte no centro de São Paulo. Cerca de 850 famílias viviam no local. Mais de 600 já estão em imóveis definitivos, enquanto as demais aguardam, em residências provisórias, a conclusão das novas moradias.

Parte dos moradores escolheu permanecer na região central. Outros optaram por endereços em diferentes áreas da cidade ou em municípios do interior e do litoral de São Paulo.

Em 2008, a Justiça havia concedido usucapião aos moradores. Em 2011, um incêndio deixou uma pessoa morta e mais de 200 famílias desabrigadas. No início de 2024, a Justiça reverteu a decisão que reconhecia o usucapião.

Depois disso, começou a negociação para que a União cedesse o terreno ao governo paulista. Alessandra D’Ávila, secretária-adjunta de Patrimônio da União, afirmou que o acordo foi concluído em maio de 2025, com previsão de reassentamento das famílias e desocupação pacífica da área.

Histórico da área

Antes de receber a comunidade, o terreno era ocupado por uma fábrica. A urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Raquel Rolnik afirmou que a região foi alvo de projetos de reabilitação ao longo de diferentes gestões, mas que as propostas não consideravam a população de baixa renda que vivia no local.

A área fica nos Campos Elíseos, região próxima a Santa Efigênia. Campos Elíseos é do século 19, enquanto Santa Efigênia remonta ao século 18. Para Rolnik, o projeto representa a retomada de um espaço público que ainda não havia sido transformado pelo mercado imobiliário.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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