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Agentes de segurança aparecem em mais da metade dos casos de violência política registrados

Levantamento reuniu 11 ocorrências entre 12 e 28 de setembro; seis envolveram policiais ou seguranças privados.

Agentes de segurança aparecem em mais da metade dos casos de violência política registrados

Um levantamento sobre a campanha eleitoral de 2026 identificou 11 casos de violência política entre 12 e 28 de setembro, em quatro das cinco regiões do Brasil. Seis ocorrências, ou 54,5% do total, envolveram policiais ou agentes de segurança privada apontados como agressores.

Os registros foram reunidos a partir de denúncias feitas por candidatos. A frequência média foi de uma ocorrência a cada 37h, em um período de 17 dias de campanha para o primeiro turno.

Abordagens durante atividades de campanha

Três episódios não tiveram agressão física, mas envolveram intimidação durante ações eleitorais. Dois ocorreram em São Paulo e um em Pernambuco, atingindo dois candidatos e duas candidatas.

Em Recife, no último dia 15, Rosa Amorim (PT), candidata a deputada federal, e Jô Cavalcanti (PSOL), candidata à Assembleia Legislativa de Pernambuco, distribuíam panfletos em frente ao Instituto Federal de Pernambuco. Seguranças contratados para organizar a fila de um exame pré-Enem retiraram o material das mãos dos estudantes e o jogaram no lixo.

No Vale do Anhangabaú, em São Paulo, o candidato a deputado estadual Júnior Freitas (PSOL) foi abordado por um segurança durante uma atividade realizada em 19 de setembro. O funcionário disse que não era permitido fazer campanha no local. O candidato questionou a abordagem, e a atividade continuou.

No dia 20 de setembro, o vereador Nabil Bonduki (PT) conduzia uma pedalada com apoiadores no Minhocão quando foi abordado três vezes. Em uma delas, uma policial militar pediu seu RG, perguntou quantas pessoas participavam do ato e por quanto tempo o grupo permaneceria no local.

O advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, afirmou que as abordagens podem se enquadrar no artigo 332 do Código Eleitoral, que trata de impedir propaganda e prevê detenção de 1 a 6 meses e multa. Para ele, a possível interferência da Polícia Militar é o ponto mais preocupante. “Será que existe algum tipo de ordem para dificultar a propaganda de adversários políticos?”, questionou.

Em Prata, no Cariri paraibano, simpatizantes do PT comunicaram às autoridades uma atividade com som em apoio à reeleição do presidente Lula, em 12 de setembro. PMs e policiais da reserva apareceram atirando para o alto e para o chão. Manifestantes foram chamados de baderneiros e vagabundos. O PT levou o caso à Corregedoria da PM, enquanto a corporação declarou que houve resistência à abordagem e que fez um disparo de advertência.

Comparação com períodos anteriores

A taxa registrada durante os 17 dias de campanha foi superior à do estudo mais recente realizado por Justiça Global e Terra de Direitos. Entre o fim do 2º turno da eleição de 2024 e 15 de agosto, véspera do início da campanha de 2026, as organizações contabilizaram 354 casos, com média de um a cada 44h.

Esse foi considerado pelas entidades o período pré-eleitoral mais violento da série histórica. O número representou crescimento de 18,4% em relação aos 299 casos registrados entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024. Em 2025, ano sem eleições, foram contabilizados 225 casos.

A pesquisa também apontou que 64 episódios, equivalentes a 18,1% do total, tiveram como autores pessoas com mandato eletivo ou cargo público. Com a inclusão de policiais e outros agentes estatais, os ataques cometidos por representantes do próprio Estado chegaram a 29,9%.

Casos envolvendo candidatos

Em Charqueadas (RS), o deputado estadual Leonel Radde (PT), que é policial civil, afirmou ter sido ameaçado de morte por um policial penal armado durante uma atividade política em 20 de setembro. Ele estava acompanhado de uma vereadora da cidade e disse que o agente aparentava estar alcoolizado.

No Rio de Janeiro, em 28 de setembro, o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) denunciou o colega Alexandre Knoploch (PL) por ameaça e invasão. Os dois disputavam a reeleição. Um vídeo feito por apoiadores de Serafini mostra Knoploch com uma arma na cintura. O candidato do PL admitiu ter usado spray de pimenta e disse que havia sido intimidado.

Em Jaraguá do Sul (SC), Fernanda Klitzke, candidata a suplente na chapa de Décio Lima (PT) ao Senado, foi presa após questionar uma abordagem da Polícia Militar na noite de 12 de setembro. Segundo o relato, ela foi imobilizada com um mata-leão, derrubada, chutada e atingida por tiros de borracha. Liberada em seguida, precisou de atendimento médico.

O último caso registrado ocorreu em Itajaí, na noite de domingo (27). A casa da mãe de Décio Lima, uma idosa de 88 anos com Alzheimer, foi atingida por pedras lançadas de um carro. Uma janela e parte de uma estrutura de madeira foram danificadas. Três pessoas estavam no imóvel, mas ninguém se feriu. Havia banners do candidato na frente da casa.

Racismo e violência contra mulheres

Os casos reunidos tiveram 13 vítimas diretas: cinco mulheres, três delas autodeclaradas negras, e oito homens, um deles negro. A pesquisa de Justiça Global e Terra de Direitos apontou que metade das vítimas no período analisado era mulher, embora elas ocupassem 18% dos cargos no Legislativo, conforme dados do TSE. Entre as mulheres vítimas, uma a cada três era preta ou parda.

Em Belo Horizonte, a vereadora Iza Lourença (PSOL), candidata a deputada estadual, teve o comitê atacado com uma bomba caseira. Dois funcionários foram agredidos. Um banner e outros materiais foram levados, e material de campanha de Nikolas Ferreira (PL) foi deixado no local. Um homem que se declarou apoiador do PL foi detido.

A pesquisa das organizações também registrou quatro ameaças atribuídas a grupos ou perfis neonazistas ou supremacistas contra mulheres pretas: a prefeita Professora Nilda, de Parnamirim (RN), e as vereadoras Alice Carvalho, de Santa Maria (RS), Vivi Reis, de Belém (PA), e Adriana Gerônimo, de Fortaleza (CE).

Em vídeo, o deputado estadual Eduardo Suplicy, fundador do PT e candidato à reeleição, defendeu uma atuação conjunta contra abusos. “É preciso uma ação suprapartidária e denunciar à corregedoria e à ouvidoria da PM e ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral”, afirmou.

Para Gisele Barbieri, da Terra de Direitos, os registros de violência policial vêm aumentando e incluem apreensões irregulares de materiais de campanha. Glaucia Marinho, da Justiça Global, afirmou que a participação de agentes de segurança pública nos ataques ameaça a democracia e cobrou mecanismos de prevenção, proteção, investigação e responsabilização.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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