Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) pediram à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) a investigação de Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição. A representação questiona a divulgação de um documento que aparentava ter sido produzido pela Polícia Federal (PF) e indicava não haver indícios de crime em conversas entre o deputado e o empresário Daniel Vorcaro.
O material foi publicado nos perfis oficiais e verificados de Nikolas Ferreira no Instagram e no X. A Polícia Federal negou publicamente ser autora do documento, conforme registrado pelos parlamentares. A publicação ocorreu depois da divulgação de mensagens e áudios atribuídos a conversas entre Nikolas e Vorcaro no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao sistema financeiro.
Alcance e pedido à Justiça Eleitoral
Na representação, os deputados afirmam que o documento teria sido usado para contestar ou minimizar as informações sobre as conversas. As contas que reproduziram o conteúdo alcançariam mais de 27 milhões de seguidores, segundo o pedido apresentado à PGE.
Os parlamentares sustentam que a divulgação deve ser analisada como possível uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político durante o período eleitoral. Eles pedem a abertura de um procedimento preparatório e a preservação dos registros digitais das publicações, incluindo dados sobre alcance, visualizações e compartilhamentos.
Caso sejam identificadas irregularidades, a intenção é que seja ajuizada uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as medidas solicitadas estão a cassação do registro ou do diploma eleitoral de Nikolas Ferreira e a declaração de inelegibilidade por oito anos, se a Justiça Eleitoral concluir que houve abuso de poder ou outra infração capaz de justificar essas sanções.
Possível apuração criminal
A representação também pede a investigação de eventuais responsabilidades criminais relacionadas à falsificação e ao uso de documento falso. O pedido será analisado pela Procuradoria-Geral Eleitoral, que deverá avaliar os elementos apresentados e definir as providências cabíveis. A apresentação da representação não comprova as acusações por si só.



