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Educação

Rótulos da adolescência podem influenciar relações, saúde e escolhas na vida adulta

Pesquisas indicam que popularidade, rejeição e vínculos formados na escola podem deixar marcas décadas depois.

Rótulos da adolescência podem influenciar relações, saúde e escolhas na vida adulta
Foto: Emmanuel Lafont/BBC

A posição social ocupada na adolescência pode continuar influenciando a vida adulta por muitos anos. Pesquisas citadas por Mitch Prinstein, professor de psicologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, indicam efeitos sobre a forma de interpretar interações, a qualidade dos relacionamentos, a satisfação com a vida e a saúde.

Prinstein ouviu centenas de pessoas sobre suas experiências escolares e observou que as lembranças dos alunos mais populares permaneciam especialmente fortes. Mesmo décadas depois, muitos ainda conseguiam recordar o nome do estudante mais popular da turma com mais facilidade do que os nomes de professores e colegas.

Cinco categorias sociais

Estudos do psicólogo John Coie, realizados no início dos anos 1980, mudaram a forma como a popularidade infantil era analisada. Em vez de dividir os alunos apenas entre queridos e rejeitados, Coie identificou cinco categorias: aceitos, rejeitados, controversos, negligenciados e medianos.

Os controversos eram lembrados tanto de forma positiva quanto negativa. Os negligenciados quase não apareciam nas respostas dos colegas. Já os medianos não se destacavam em nenhuma direção. Pesquisas posteriores indicaram que cerca de 40% das crianças eram classificadas como medianas, enquanto 60% pertenciam a uma das outras categorias.

Os rótulos também podiam persistir. Um estudo descobriu que cerca de metade das crianças mantinha, cinco anos depois, no ensino médio, a mesma classificação que tinha no ensino fundamental.

Status e simpatia não são a mesma coisa

No ensino médio, a popularidade nem sempre significava ser querido. Comportamentos agressivos, rebeldes ou associados a adolescentes mais velhos podiam aumentar o status social por algum tempo. Entre eles estavam o consumo de álcool, o uso de drogas e o envolvimento precoce em relacionamentos românticos.

Por volta dos 15 anos, esses comportamentos deixavam de conferir o mesmo status. Com o amadurecimento, a simpatia voltava a ter mais importância na posição social.

Para Prinstein, ser querido e ter alto status produzem efeitos diferentes. A aceitação tende a estar relacionada a resultados positivos na saúde, no trabalho, na vida acadêmica e na saúde psicológica. Já a busca por status pode estar associada a consequências negativas.

Um estudo de 2015, conduzido por Joseph Allen, da Universidade da Virgínia, acompanhou 184 adolescentes do sudeste dos Estados Unidos, dos 13 aos 23 anos. Jovens que buscavam status e adotavam comportamentos considerados pseudomaduros no início da adolescência apresentaram maior risco de enfrentar dificuldades em relacionamentos próximos e comportamentos criminosos. A iniciação precoce ao álcool e às drogas também foi associada a maior vulnerabilidade ao abuso de substâncias e à dependência mais tarde.

O peso da rejeição

A rejeição também pode deixar efeitos duradouros. A pesquisa de Prinstein indicou que alunos rejeitados no ensino médio tinham maior probabilidade de se tornar mais deprimidos com o passar do tempo. A hipótese é que a rejeição favoreça o isolamento, que por sua vez intensifica a sensação de ser rejeitado.

Ainda assim, pessoas que passaram por essa experiência podem desenvolver habilidades para perceber melhor o que os outros sentem e identificar situações de maus-tratos. Essa inteligência emocional pode ajudar nos relacionamentos pessoais e no trabalho.

A aceitação ampla também não é indispensável para uma vida social satisfatória na idade adulta. Estudos indicaram que ter um ou dois bons amigos na adolescência pode exercer efeito protetor e fortalecer relações futuras.

Memórias que continuam ativas

Lucy Foulkes, psicóloga da Universidade de Oxford, afirma que a intensidade da adolescência ajuda a explicar por que as experiências desse período permanecem tão presentes. Nessa fase, os jovens convivem quase todos os dias com as mesmas pessoas durante anos, algo que, segundo ela, só tem comparação na vida adulta com ambientes como o exército ou a prisão.

Prinstein diz que as experiências sociais vividas aos 14 anos podem funcionar como um modelo para interpretar o mundo. As lembranças são reativadas quando a pessoa enfrenta novas situações sociais, influenciando suas expectativas e seu comportamento.

Esse modelo pode se transformar em uma profecia autorrealizável. Quem espera ser rejeitado pode prestar mais atenção a sinais que confirmem essa previsão e agir de modo a favorecer novas experiências negativas. Para Prinstein, revisar essas interpretações — como considerar que um comentário ambíguo talvez não tenha sido uma ofensa — pode ajudar a construir relações mais satisfatórias.

Os rótulos escolares, portanto, não precisam determinar toda a trajetória. Prinstein afirma que as pessoas podem mudar seus padrões, embora muitas vezes não dediquem tempo suficiente a reconhecer esse processo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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