NATAL — O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), defendeu um choque fiscal a partir de 2027, com corte de privilégios, reforma administrativa e privatizações. Em passagem por Natal nesta quarta-feira (16), ele também criticou a atuação do Senado diante da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e propôs mudanças na escolha dos ministros da Corte.
Para Girão, a segurança pública deve ocupar o centro da eleição presidencial de 2026. Ele afirmou que um eventual governo de Zema começaria com medidas contra as casas de apostas, a revisão de supersalários e o fim de benefícios que considera privilégios de políticos.
Críticas ao Senado e ao STF
Girão disse ter pedidos de impeachment contra ministros do STF e afirmou que o Senado deveria ter avançado contra integrantes da Corte. “O Senado era para ter botado para fora já uns dois ou três ministros”, declarou.
O senador criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem atribuiu o arquivamento de pedidos de impeachment e de comissões parlamentares de inquérito. Ele citou a CPI do Banco Master, cujo requerimento, segundo ele, recebeu 53 assinaturas entre os 81 senadores, incluindo Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (PODE), do Rio Grande do Norte.
Como alternativa, Girão defendeu o aumento da idade mínima para ministros do STF e um processo de escolha com mais critérios técnicos, incluindo nomes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e juízes de carreira.
Segurança pública e economia
O senador afirmou que Zema pretende equiparar facções criminosas a grupos terroristas. Também defendeu a construção de um presídio na Amazônia para concentrar lideranças do crime organizado, incluindo nomes que hoje estão no presídio de Mossoró.
Girão disse que Zema reduziu em 60% a violência em Minas Gerais. Na avaliação dele, quatro dos cinco municípios mais violentos do Brasil estão no Ceará, seu estado. O senador também afirmou que famílias cearenses são expulsas de casa a cada três dias.
Na economia, Girão citou a privatização como um dos eixos do eventual governo e afirmou que os Correios deixaram de dar lucro há três anos e meio. Ele também criticou as emendas parlamentares e declarou que cada senador e deputado dispõe de, no mínimo, R$ 103 milhões por ano. O senador disse ter uma proposta de emenda à Constituição para acabar com esse mecanismo.
A chapa proporcional do Novo tem nove candidatos a deputado federal. O partido não lançou candidato a deputado estadual e integra a coligação de apoio a Álvaro Dias (PL) para o governo e a Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (PODE) para o Senado.



