O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter trocado mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que as conversas atribuídas aos dois são fantasiosas. Em documento de 44 páginas protocolado na Presidência da Corte, ele também acusou o ministro André Mendonça de conduzir as investigações com motivação político-eleitoral.
A manifestação foi apresentada antes da sessão do STF marcada para esta terça-feira (15). Os ministros vão analisar se existem elementos para autorizar a abertura de uma investigação contra Moraes, com base em informações obtidas pela Polícia Federal nas apurações relacionadas a Vorcaro e ao Banco Master.
Moraes declarou que não cometeu irregularidades nem atuou em processos ligados ao banco ou ao escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Sobre o conteúdo encontrado no celular de Vorcaro, afirmou que não existe nenhuma mensagem atribuída a ele no material examinado.
“DIÁLOGOS FANTASIOSOS”, escreveu o ministro. Ele questionou a falta de perícia capaz de estabelecer a autoria e a dinâmica dos registros. Segundo Moraes, os textos poderiam ter ficado em um bloco de notas, sido enviados a outras pessoas ou apagados antes de serem visualizados.
Críticas a André Mendonça
Moraes afirmou que Mendonça sabia desde 18 de maio que seu nome aparecia no material, mas não levou a questão imediatamente ao plenário. Na avaliação dele, o andamento posterior das apurações teria sido planejado para coincidir com a proximidade das eleições e com as manifestações políticas de 7 de Setembro.
O ministro classificou decisões tomadas durante a investigação como inconstitucionais, irregulares e nulas. Também disse que pretende apresentar testemunhas que teriam presenciado pedidos de Mendonça para que a Polícia Federal adotasse medidas contra ele.
De acordo com Moraes, essas pessoas poderiam relatar tentativas de incluir o próprio ministro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em uma colaboração premiada, mesmo sem indícios de infrações penais. Os nomes das testemunhas ainda não foram apresentados e, conforme o documento, serão indicados posteriormente.
Moraes negou ainda ter favorecido Vorcaro ou interferido nas investigações sobre o Banco Master. Como argumento, citou a Operação Compliance Zero, que levou à prisão do ex-banqueiro, e disse não haver indícios de vazamento que o tivesse beneficiado.
O ministro também relacionou o caso aos desdobramentos políticos dos atos de 8 de janeiro de 2023. A sessão do plenário do STF ocorrerá nesta terça-feira (15).



