A Petrobras anunciou um aumento de R$ 0,19 por litro na gasolina e corrigiu a informação poucas horas depois, sem explicar o motivo. Para analistas do Itaú BBA, a reversão pode aumentar as preocupações do mercado sobre a previsibilidade da governança e a independência da política de preços da companhia.
O anúncio ocorreu na noite de quarta-feira (9). Monique Greco, Eric de Mello e Eduardo Mendes avaliaram que a falta de uma justificativa de negócio claramente comunicada torna menos previsível o processo de decisão sobre os preços dos combustíveis.
Pressão sobre o diesel
O banco também levantou dúvidas sobre a possibilidade de a Petrobras aplicar um ajuste de R$ 1,00 por litro no diesel. Na avaliação do Itaú BBA, essa medida poderia ser necessária para que a empresa voltasse a se alinhar plenamente à própria estratégia de preços.
De acordo com os cálculos dos analistas, o diesel vendido pela Petrobras está com desconto de 31% em relação à paridade de importação e de 25% diante da paridade de exportação. Na gasolina, os descontos estimados são de 26% e 7%, respectivamente.
Com os preços internacionais nos níveis atuais, o Itaú BBA considera que a Petrobras ainda está, na média anual, amplamente em conformidade com sua política para a gasolina. No diesel, porém, a defasagem continua relevante.
O relatório também aponta que uma escalada do conflito no exterior e uma nova alta do petróleo poderiam aumentar a pressão sobre a política de preços da companhia.
Apesar das incertezas, o Itaú BBA mantém recomendação de compra para as ações da Petrobras. O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 63 para a PETR4 no fim de 2027, com potencial de alta de 30,1% em relação ao fechamento de ontem.



