SÃO PAULO — A PKL One, responsável pelo Credcesta e ligada ao Banco Master, movimentava R$ 25 milhões por mês em empréstimos consignados para servidores públicos de São Paulo. A empresa permaneceu habilitada no sistema estadual por mais de três anos durante o governo Tarcísio de Freitas, conforme documentos oficiais e declarações do governador.
A PKL foi credenciada em 2022, antes de Tarcísio assumir o governo, mas participou de dois recadastramentos durante a atual gestão. A suspensão do código de desconto no sistema estadual passou a valer em 19 de fevereiro de 2026.
Em declaração nesta sexta-feira (4), Tarcísio disse que o volume movimentado pela empresa equivalia a 3% ou 4% do mercado de consignados do estado. O Banco do Brasil, segundo o governador, concentrava quase 52% da operação entre os servidores estaduais. A participação da PKL chegou a 5% antes de cair.
Tarcísio negou favorecimento e afirmou que o governo não escolhe as instituições que oferecem os empréstimos. Segundo ele, os próprios servidores selecionam uma entre 217 empresas habilitadas. O governador também disse que o credenciamento não depende da vontade do chefe do Executivo.
Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022. Sobre a relação, o governador afirmou: “Isso não depende da vontade do governante”.
Recadastramentos e suspensão
Em julho de 2023, o Departamento de Despesa de Pessoal informou que as entidades consignatárias deveriam fazer o recadastramento conforme um cronograma oficial. A PKL estava prevista para novembro de 2023. Em dezembro de 2024, a empresa foi incluída em um novo cronograma estadual.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O despacho que determinou a suspensão do código da PKL foi publicado em 19 de março de 2026.
Tarcísio afirmou que a retirada ocorreu assim que a empresa foi descredenciada pelo Banco Central. A medida, segundo ele, impediu novos contratos, mas manteve os descontos de operações anteriores. “Os contratos que ela mantém são válidos, porque precisam ser cumpridos, precisam ser honrados”, disse.
Reclamações na Prefeitura de São Paulo
Enquanto continuava habilitada no sistema estadual, a operação do Credcesta era questionada por servidores municipais de São Paulo. Em abril de 2023, a AproFEM encaminhou à Secretaria Municipal de Gestão um ofício com “inúmeras denúncias” sobre supostas irregularidades.
O sindicato já havia questionado a Prefeitura em setembro de 2022 sobre o cartão de benefício consignado. Após as reclamações, a Secretaria Municipal de Gestão pediu esclarecimentos à PKL One, que respondeu em junho de 2023. A Prefeitura informou que outras instituições foram credenciadas posteriormente.
As reclamações se referiam à operação municipal. Não há indicação de que as denúncias tenham sido encaminhadas ao governo estadual.



