Curitiba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Curitiba 13°C 11° / 14° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
O que acontece aqui, primeiro
Saúde

Estudo associa rotina da medicina a sintomas de depressão e ansiedade

Pesquisa com 1.026 estudantes aponta sintomas depressivos moderados a graves em 66% dos participantes e ansiedade em 50,5%.

Estudo associa rotina da medicina a sintomas de depressão e ansiedade
Foto: Lucas Seixas/Folhapress

Um estudo com estudantes de medicina no Brasil identificou sintomas de depressão moderada a grave em 66% dos participantes e sintomas de ansiedade de moderada a grave em 50,5%. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do CISM (Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental) e ouviu 1.026 alunos de 74 instituições públicas e privadas.

A falta de tempo foi o fator de estresse mais citado pelos estudantes, seguida por questões relacionadas ao desempenho acadêmico, aos relacionamentos, às preocupações com a saúde e às dificuldades de aprendizagem. A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2023 e setembro de 2024, com a participação voluntária de alunos com 18 anos ou mais, do primeiro ao sexto ano.

Ambiente acadêmico e saúde mental

Os índices encontrados no país ficaram acima das estimativas globais para estudantes de medicina, que apontam sintomas de depressão em 27,2% e de ansiedade em 33,8% durante a formação.

Para avaliar a depressão, os pesquisadores usaram o PHQ-9, questionário de nove itens que considera os sintomas registrados nas duas semanas anteriores. A escala varia de 0 a 27. A ansiedade foi analisada pelo GAD-7, instrumento com sete perguntas e pontuação de 0 a 21. O estudo também aplicou o JHLES, que avalia a percepção sobre o ambiente de aprendizagem, e a MSSF, criada e validada pelo grupo para medir fatores de estresse.

Estudantes de universidades privadas avaliaram melhor o ambiente de aprendizagem, especialmente as relações com professores e o clima acadêmico. Já os alunos de instituições públicas relataram mais estresse ligado a notas e avaliações. A colaboração entre colegas e o clima acadêmico apareceram entre os fatores associados a menor intensidade de sintomas de ansiedade e depressão.

Rodolfo Furlan Damiano, psiquiatra e pesquisador do CISM, relaciona parte do problema à ideia de que o sofrimento seria natural na formação médica. “Sofrer faz parte, de que a falta de tempo faz parte. É passado de geração em geração”, afirmou.

Relatos de estudantes

Natália Barros, 22, estudante do terceiro ano da Unifesp, deixou João Pessoa (PB) para morar em São Paulo. Ela relata cansaço, dificuldade de concentração, alterações no sono e perda de apetite. As atividades físicas e os hobbies foram reduzidos depois do início do curso.

Gabriel Gaspar, 23, estudante do segundo semestre de medicina na USP, afirma manter uma boa saúde mental apesar da rotina. Ele atribui parte disso à integração social proporcionada pelas atividades da atlética.

A pesquisa também encontrou pontuações mais altas no PHQ-9 e níveis maiores de estresse acadêmico entre estudantes que ingressaram por cotas. Bolsistas avaliaram de forma menos positiva a colaboração entre colegas e o engajamento nas aulas.

Anna Catarina, estudante cotista e bolsista, relata ter percebido uma divisão socioeconômica entre as turmas de uma faculdade privada. Ela acorda às 4h para preparar as marmitas, sai de casa às 6h e chega à faculdade às 7h30. A privação de sono, segundo ela, veio acompanhada de dermatite, tremores no olho e crises de enxaqueca.

Os pesquisadores afirmam que as diferenças entre cotistas e não cotistas deixam de aparecer quando são considerados o ambiente de aprendizagem e o estresse acadêmico. Para Damiano, isso indica que a associação inicial não pode ser atribuída à condição de ter ingressado por ação afirmativa.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.