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Saúde

Estudo da USP mostra desigualdade na resposta internacional ao ebola

Pesquisa aponta que crises africanas recebem mais atenção quando são percebidas como ameaça aos países desenvolvidos.

Estudo da USP mostra desigualdade na resposta internacional ao ebola

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) analisou como fatores políticos, econômicos e sociais influenciam a reação internacional a emergências sanitárias. O estudo concluiu que surtos de ebola restritos a países africanos tendem a receber mais lentamente atenção política, profissionais, suprimentos e recursos financeiros.

A mobilização muda quando a doença passa a ser tratada como uma ameaça à segurança internacional, especialmente diante do risco de disseminação para fora da África. Foi o que ocorreu durante o surto de 2014, iniciado na Guiné e espalhado pela Libéria e por Serra Leoa. A epidemia, causada pela cepa Zaire ebolavirus, provocou cerca de 11 mil mortes e também registrou casos nos Estados Unidos, na Espanha, no Reino Unido e na Itália.

Em agosto de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). No mês seguinte, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Resolução 2177, que classificou a epidemia como ameaça à paz e à segurança internacionais. Depois disso, Estados Unidos, França e Reino Unido lideraram uma mobilização financeira e militar, com envio de tropas, equipes médicas e recursos.

Resposta ao surto no Congo

A pesquisa também examinou a epidemia de 2018 na República Democrática do Congo (RDC). As províncias de Kivu do Norte e Ituri concentraram 3.470 casos e 2.299 mortes em um contexto de conflitos armados, deslocamentos em massa e desconfiança das comunidades locais.

A reação internacional foi marcada por demora na liberação de recursos, menor participação das potências globais e subfinanciamento. O comitê de emergência da OMS recusou por três vezes a declaração de ESPII. O alerta só foi acionado em julho de 2019, quase um ano após o início do surto, quando o vírus chegou a Uganda.

A RDC declarou oficialmente um surto causado pela variante bundibugyo em 15 de maio. Conforme dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), em 22 de setembro o país tinha 7.773 casos confirmados, 3.759 mortes relacionadas e 839 pacientes hospitalizados em isolamento. Os dados eram referentes a 21 de setembro.

Histórico e desigualdade tecnológica

O ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, no então Zaire, atual RDC, e no Sudão do Sul. Entre 1976 e 2022, o continente africano registrou 35 surtos: a RDC teve 15, Uganda seis, a República do Congo quatro, o Gabão quatro, o Sudão do Sul três, a Guiné dois e a Costa do Marfim um.

A doença é causada por vírus do gênero Ebolavirus e é transmitida principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais contaminados. Embora vacinas e tratamentos tenham avançado, a pesquisa destaca que a concentração de tecnologias e insumos em países desenvolvidos mantém desigual o acesso a esses recursos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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