A indústria farmacêutica precisa ir além do desenvolvimento de novos tratamentos e contribuir para que a inovação chegue aos pacientes. A avaliação foi apresentada por Lorice Scalise, presidente da Roche Farma Brasil, durante um episódio especial de Futuro Talks.
A discussão ocorre no momento em que a Roche celebra 95 anos de atuação no Brasil. Para Scalise, o país ocupa uma posição estratégica para a companhia e está entre os oito mercados mais relevantes da operação global. Entre os fatores associados a esse cenário estão um ambiente receptivo a inovações e um sistema público de saúde que atende mais de 150 milhões de pessoas.
Acesso e pesquisa clínica
Scalise apontou as desigualdades no acesso a diagnósticos e tratamentos como um dos desafios do setor. Também defendeu que a saúde seja vista como investimento, e não apenas como gasto. Nesse cálculo, além do custo do tratamento, deveria ser considerado o impacto de não tratar as pessoas. A executiva afirmou ainda que o debate precisa incluir os fatores econômicos e sociais que influenciam o acesso da população.
A pesquisa clínica também foi discutida. A nova regulamentação da área foi apontada como um avanço para aumentar a competitividade do país e atrair investimentos. A Roche conduz mais de 100 estudos clínicos no Brasil. Desse total, cerca de 30% estão na fase 2 e 10% na fase 1. A empresa espera ampliar essa atuação nos próximos anos.
Outro tema foi a descentralização do cuidado, apresentada como uma forma de melhorar a jornada de acesso e a adesão aos tratamentos. Segundo Scalise, esse modelo já é aplicado em casos como diabetes e hemofilia.
A executiva também citou o uso de inteligência artificial, dados e interoperabilidade. Essas tecnologias podem contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde, inclusive com a redução de desperdícios.



