Um ensaio clínico randomizado de fase 2 avaliou o teclistamab em pessoas com mieloma múltiplo latente de alto risco, condição que pode anteceder o desenvolvimento do mieloma múltiplo, um câncer do sangue. Entre os pacientes que receberam o medicamento, 77,8% tiveram resposta completa, segundo o estudo publicado na revista Nature Medicine.
A pesquisa comparou o teclistamab com a combinação de lenalidomida e dexametasona, conhecida como Rd. Ao todo, 64 participantes fizeram parte do estudo. Para a análise dos resultados, foram considerados 59 pacientes que haviam completado pelo menos um ciclo de tratamento: 45 receberam teclistamab e 14 foram tratados com Rd.
Resultados do estudo
No grupo que recebeu teclistamab, 77,8% dos pacientes apresentaram desaparecimento dos marcadores da doença considerados na definição de resposta completa adotada pelos pesquisadores. Entre os participantes tratados com lenalidomida e dexametasona, nenhum teve esse resultado.
O acompanhamento mediano foi de 24,5 meses. Nesse período, 92% dos pacientes que receberam teclistamab permaneciam sem progressão da doença. Entre aqueles tratados com Rd, o índice foi de 49%.
Antes da análise principal, os pesquisadores fizeram uma etapa inicial de segurança com seis pacientes. Os autores afirmaram que as taxas de resposta, a duração das respostas e o tempo até a progressão foram melhores no grupo que recebeu teclistamab. Também destacaram que ainda são necessários novos estudos.
O que é o mieloma múltiplo latente
O mieloma múltiplo começa nas células plasmáticas, produzidas na medula óssea e responsáveis pela fabricação de anticorpos. Na doença, algumas dessas células se tornam anormais, se multiplicam e produzem proteínas do mieloma.
Essas alterações podem comprometer o funcionamento da medula e afetar outros órgãos. Nos estágios iniciais, não é obrigatório que existam sintomas claros. Com a evolução, a doença pode estar associada ao enfraquecimento dos ossos, danos aos rins, anemia, aumento do cálcio no sangue e maior vulnerabilidade a infecções.
O mieloma múltiplo latente de alto risco, chamado HR-SMM, apresenta alterações relacionadas ao mieloma, mas ainda não corresponde à fase em que o câncer desenvolvido provoca os problemas característicos da doença. Historicamente, esses pacientes eram acompanhados sem tratamento imediato, em uma estratégia conhecida como observação ou espera vigilante.
Como age o teclistamab
O teclistamab pertence à classe dos anticorpos biespecíficos. Essas moléculas reconhecem dois alvos ao mesmo tempo e aproximam as células T, que participam da defesa do organismo, das proteínas presentes nas células do mieloma.
Com essa ligação, as células T podem identificar as células doentes e participar da resposta imunológica contra elas. O medicamento já é usado em pacientes cujo mieloma múltiplo voltou após tratamentos ou se tornou resistente às terapias usadas anteriormente. Nos Estados Unidos e na União Europeia, a aprovação para esses casos ocorreu em 2022. No Brasil, o teclistamab tem registro da Anvisa para determinados casos de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.



