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Empresas ligadas ao Grupo Maya ampliam conexões com entorno de Vorcaro

Investigação sobre a concessão de cemitérios de São Paulo aponta vínculos societários, financeiros e empresariais com o entorno do banqueiro.

Empresas ligadas ao Grupo Maya ampliam conexões com entorno de Vorcaro

Empresas ligadas ao Grupo Maya, responsável pela administração de cinco cemitérios da capital paulista, mantêm relações societárias e empresariais com pessoas próximas a Daniel Vorcaro, banqueiro do extinto Banco Master. As conexões estão entre os pontos que levaram o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar uma investigação da Polícia Federal.

Uma das sócias da Maya Plano Funeral é a AFC Holding SP Ltda., subsidiária da AFC Holding. A empresa integra a rede de CNPJs investigada no caso Master e tem como administrador o advogado Thiago Assumpção Henriques, que também aparece no comando de outros negócios ligados à família de Vorcaro.

A AFC Holding já foi citada em investigações sobre a compra de terrenos e imóveis de alto valor no Rio Grande do Sul e na Bahia, em operações relacionadas à família Vorcaro e sob suspeita de possível ocultação patrimonial. Henriques também é dirigente da Global Carbon, investigada por suspeita de integrar a movimentação de recursos vinculados ao Master.

Dirigentes e endereços compartilhados

As empresas Conata Engenharia, Infracon Engenharia e RMG Construções e Empreendimentos fundaram a concessão paulista. Integrantes dessas companhias aparecem tanto na estrutura do Grupo Maya quanto na Maya Plano Funeral.

A empresa de planos funerários funciona no mesmo endereço do Grupo Maya, na Rua Fidêncio Ramos, na Vila Olímpia, e usa e-mail com o domínio “grupomaya”. Renato Medrado Geo, sócio da RMG e presidente do Grupo Maya desde 2023, administra a Maya Plano Funeral desde 2024, quando ela foi criada.

Alexandre Humberto Caramatti Manata, sócio da Conata e ex-presidente da concessionária, também é administrador da empresa funerária. Wesley Bambirra, CEO da Infracon, integra o conselho de administração do Grupo Maya.

Outra ligação envolve Rodrigo Medrado Geo, irmão de Renato, sócio da RMG e dirigente da concessionária. Ele foi sócio de Vorcaro na Itaminas, mineradora de Minas Gerais. Vorcaro entrou na empresa em 2014, com 50% de participação, e deixou o negócio por R$ 700 milhões, pagos pelos antigos sócios, entre eles integrantes da família Geo. A venda ocorreu poucos dias antes da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Financiamentos do Banco Master

As três acionistas da concessionária — Conata, Infracon e RMG — ofereceram ao Banco Master todas as ações que possuíam na empresa como garantia de dois financiamentos, que somavam R$ 78 milhões.

Enquanto as dívidas não fossem quitadas, o banco teria a propriedade fiduciária das ações e poderes sobre determinadas decisões societárias. Os contratos também previam que as acionistas seguissem a orientação do credor em votações capazes de afetar seus interesses e restringiam operações com ativos sem autorização.

Os créditos passaram por empresas do próprio conglomerado, chegaram à Master Holding, sediada nas Ilhas Cayman, e foram incluídos em negociações do Master com o Banco de Brasília, o BRB.

O Grupo Maya administra os cemitérios Campo Grande, Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade, além de vender serviços funerários, como coroas de flores e caixões. O grupo se apresenta como “a maior administradora de cemitérios públicos da cidade de São Paulo”.

Investigação determinada pelo STF

Na quinta-feira (17/9), Flávio Dino ordenou que a Polícia Federal investigasse as conexões entre as concessionárias de cemitérios paulistas e o Banco Master. A decisão veio depois que os financiamentos concedidos ao Grupo Maya se tornaram públicos.

Dino também havia pedido esclarecimentos sobre a relação do Master com a Cortel, outra concessionária de cemitérios de São Paulo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso, foi conselheiro da Cortel entre 2022 e 2025. Ele teria usado e-mails institucionais do banco para assinar atas da empresa.

O Grupo Maya e a Cortel também são investigados por uma suposta integração de serviços, funcionários e endereços. O caso é acompanhado pela Prefeitura de São Paulo e pelo Tribunal de Contas do Município.

A concessão dos cemitérios municipais à iniciativa privada ocorreu em 2023, durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB). Além do STF, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga o processo. Em 2024, Dino determinou o tabelamento dos preços máximos.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que relações societárias, financeiras ou bancárias, isoladamente, não caracterizam irregularidade contratual e disse acompanhar de forma permanente a capacidade econômico-financeira das concessionárias. As empresas, os empresários citados, André Mendonça e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam até a publicação; o espaço permanece aberto.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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