SÃO PAULO — O Grupo Maya foi incluído nas apurações determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre possíveis crimes em operações do Banco Master com concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal (PF) recebeu o caso, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) terá 15 dias para reunir dados sobre as relações do grupo com fundos de investimentos e empresas privadas do setor.
A decisão foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em uma ação relatada por Dino. O ministro afirmou haver um aumento dos indícios relacionados às operações do banco com as concessionárias, mas disse que a investigação não deve alcançar o ministro André Mendonça, do STF.
Financiamentos e garantias
Documentos mencionados na decisão mostram que empresas que controlavam a Cemitérios e Crematórios SP obtiveram R$ 78 milhões em financiamentos do Banco Master. A concessionária é ligada ao Grupo Maya.
Como garantia dos empréstimos, as ações da empresa foram entregues ao banco. Os contratos também permitiam ao credor orientar votos das acionistas em situações específicas e exigiam autorização para algumas operações com os ativos. Conforme Dino, os créditos passaram por estruturas vinculadas à Master Holding constituídas nas Ilhas Cayman.
O ministro afirmou que os elementos indicam possíveis vínculos entre o conglomerado ligado ao Banco Master e outra concessionária alcançada pelas restrições discutidas na ADPF 1196. O caso se soma às informações já conhecidas sobre a Cortel, onde Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, exerceu função de conselheiro.
Relações sob análise
Dino também citou um encontro entre Vorcaro e Mendonça em março de 2025. No dia seguinte, o ministro pediu vista do processo. Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, Mendonça votou contra a manutenção de uma decisão individual de Dino que impunha restrições às concessionárias privadas de cemitérios.
A decisão menciona ainda Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, que trabalha na SP Regula, agência responsável pela regulação dos serviços públicos de São Paulo. Ele atua na área funerária e cemiterial. O despacho não afirma que houve favorecimento do ministro.
Manifestação da SP Regula
A agência declarou que as relações financeiras das concessionárias funerárias com bancos ou fundos privados não representam, por si só, irregularidade contratual. A SP Regula informou que acompanha de forma permanente a capacidade econômico-financeira das empresas e fiscaliza os contratos.
A Procuradoria Geral do Município informou que a Prefeitura foi notificada e analisa a situação.
A decisão também reúne suspeitas sobre a prestação de serviços pelo Grupo Maya, como cobranças acima da tabela e venda de produtos ou serviços funerários sem previsão contratual. Entre os exemplos citados está a cobrança de R$ 12 mil pelo sepultamento de um recém-nascido no Cemitério da Saudade. O despacho menciona ainda a suposta falta de divulgação da tabela oficial de preços aos usuários.
Além da inclusão do Grupo Maya nas apurações, Dino determinou que a empresa faça parte da análise e da fiscalização prioritárias já estabelecidas no processo.



