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Economia

Fundos multimercados se dividem entre perdas, bancos e estratégias vencedoras

Ranking mostra desempenho desigual, saída de recursos e concentração crescente das estratégias macro em grandes instituições financeiras.

Fundos multimercados se dividem entre perdas, bancos e estratégias vencedoras
Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons

O ranking de multimercados reúne resultados muito diferentes: há fundos que perderam mais de 16% em 12 meses e outros que mais que dobraram de valor em três anos. A base analisada tem 190 produtos voltados a recursos de fundações e regimes próprios de previdência, com comparação entre retorno e risco em períodos de um, dois e três anos até junho de 2026.

Os dados são da DataBay e fazem parte do levantamento Melhores Fundos para Institucionais, publicado pela revista Investidor Institucional. A avaliação classifica como excelente o terço superior de cada categoria e como insuficiente o terço inferior.

Onde estão os melhores resultados

Entre os 32 fundos que receberam nota máxima nos três períodos, 20 seguem estratégias que se afastam do multimercado tradicional. Sete acompanham, na prática, a bolsa americana, como o BTG Pactual S&P 500 BRL, que acumulou 106,8% em três anos. Outros oito se concentram em crédito privado, caso do BTG Multigestor Credit, com 48,3% no mesmo intervalo. Cinco reproduzem estratégias de gestores estrangeiros.

Também há casas de gestão ativa entre os destaques. O fundo distribuído pelo Bradesco que utiliza a estratégia da Verde superou o CDI nos três horizontes. A Solana teve retorno de 26,95% em 12 meses com uma estratégia long and short, que busca lucrar com a diferença de desempenho entre dois ativos.

AdamCapital e Milênio ficaram acima de 54% em três anos. A SPX também aparece entre os fundos excelentes, embora o SPX Nimitz Estruturado tenha ficado abaixo do CDI em um e em três anos.

A distância para o CDI

O desempenho médio da classe, porém, ficou aquém do principal parâmetro de comparação. Em 12 meses, somente 28% dos fundos superaram o CDI, que acumulou 14,8%. No período de 36 meses, 32% dos 177 produtos com histórico suficiente ultrapassaram os 43,8% registrados pelo CDI.

Na categoria macro, ligada ao modelo tradicional dos multimercados, apenas seis dos 36 fundos venceram o CDI em 12 meses. Em três anos, foram oito. O fundo macro típico acumulou 32,3% no período, mais de 11 pontos percentuais abaixo do CDI. Dez produtos registraram resultado negativo nos últimos 12 meses.

Entre os fundos com avaliação insuficiente nos três horizontes estão os dois Mar Absoluto, que recuaram mais de 16% em 12 meses. Já os fundos associados a Neo, Gávea e Ibiuna acumularam de 14% a 25% em três anos, ficando entre um terço e pouco mais da metade do CDI. O produto do Bradesco que aplica na estratégia da Vista caiu 11,9% no intervalo de 12 meses.

Recursos mudam de direção

A captação também indica perda de espaço. Em janeiro de 2026, os multimercados receberam R$ 18,9 bilhões líquidos. De fevereiro a agosto, no entanto, houve resgates líquidos em seis dos sete meses, somando R$ 29,6 bilhões. Desse total, R$ 21,1 bilhões saíram entre junho e agosto.

Até agosto, o saldo líquido da classe estava negativo em R$ 10,7 bilhões, enquanto a renda fixa recebeu R$ 239,8 bilhões. Dados da Anbima mostram que os resgates de multimercados somam R$ 672 bilhões desde 2022, e 2026 pode ser o quinto ano consecutivo de saídas.

Gestoras independentes perdem espaço

A Verde Asset, de Luis Stuhlberger, teve 50,1% de seu controle comprado pela Vinci Compass em outubro de 2025. Os 49,9% restantes estão previstos para uma segunda etapa, ao longo de cinco anos. Stuhlberger continuou como CEO e diretor de investimentos. A gestora administrava cerca de R$ 55 bilhões em 2021 e tinha perto de R$ 16 bilhões quando o negócio foi anunciado.

A Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, encerrou em agosto deste ano a gestão de multimercados depois de 23 anos e indicou a Bradesco Asset para assumir os fundos. Em junho, a Itaú Asset incorporou a Solana Capital à sua plataforma de múltiplas mesas.

Em julho, a Novus Capital transferiu seus fundos para a Leto Capital e a Occam Brasil. Luiz Eduardo Portella, sócio-fundador da Novus, foi contratado pela Itaú Asset para comandar uma mesa. A TAG Investimentos, que tem R$ 18 bilhões sob gestão, zerou a alocação em multimercados.

Levantamento com dados da Anbima mostra que o patrimônio de sete das maiores gestoras independentes em estratégias macro locais caiu quase pela metade desde 2022, para cerca de R$ 89 bilhões. No mesmo período, o patrimônio dos fundos macro das seis maiores gestoras ligadas a bancos quase dobrou desde 2019, chegando a R$ 542 bilhões.

Os números apontam para uma mudança na composição da classe, e não para seu desaparecimento. Parte das estratégias migrou para plataformas bancárias; outra se concentrou em crédito, investimentos no exterior ou em um grupo menor de gestoras independentes. A diferença entre os resultados reforça a importância de avaliar o gestor, a estratégia efetivamente usada e os custos do fundo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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