A autonomia financeira não depende apenas de ter renda própria. Também envolve conhecer a própria situação, acompanhar investimentos e participar das escolhas que influenciam o futuro. Essa diferença foi discutida por Flávia Meireles, analista de Research da Ágora Investimentos, e Maria Helena Válio, fundadora e CEO da Women Invest, no episódio do Da Conta Delas.
Uma mulher pode trabalhar e administrar o próprio dinheiro, mas ainda deixar para outras pessoas as decisões sobre recursos e investimentos. Nesse caso, independência e autonomia não significam a mesma coisa. A autonomia inclui estar envolvida em escolhas como mudar de carreira, empreender ou planejar a aposentadoria.
O papel da troca
A experiência da Women Invest é apresentada como exemplo de como a convivência pode ajudar nesse processo. A organização começou, em 2019, como um grupo de 30 mulheres interessadas em aprender sobre investimentos. Hoje, reúne cerca de 6 mil participantes.
Segundo Maria Helena Válio, muitas dúvidas que parecem individuais são compartilhadas por outras mulheres. Quando uma participante consegue perguntar sem constrangimento, outras percebem que também têm a mesma questão. Esse ambiente de identificação e acolhimento pode facilitar a participação nas conversas sobre dinheiro.
Do conhecimento à decisão
Flávia Meireles destaca que estudar finanças não elimina necessariamente o receio de fazer o primeiro investimento. A confiança pode ser o elemento que ajuda a transformar o que foi aprendido em uma decisão prática.
Para começar a cuidar do próprio patrimônio, não é preciso dominar todo o mercado financeiro. Entender conceitos básicos, reconhecer o próprio perfil e saber formular perguntas são passos que podem ampliar a participação nas escolhas sobre o dinheiro.
A conversa também aborda o desconforto que pode surgir quando mulheres temem parecer gananciosas, admitem que não entendem de investimentos ou fazem perguntas consideradas básicas. Em um espaço sem julgamento, essas dúvidas passam a ser tratadas como parte do aprendizado.
Com isso, falar sobre finanças se aproxima da vida cotidiana. O objetivo não é apenas aprender a investir, mas criar condições para decidir sobre o patrimônio e sobre as possibilidades relacionadas a ele.



