O BTG Pactual passou a enxergar uma oportunidade tática de curto prazo nas ações da CSN após a nomeação de Fabio Schvartsman como CEO. O banco manteve a recomendação oficial neutra, mas indicou uma compra tática para trade, com preço-alvo de R$ 10. O valor representa potencial de alta de 51,05% em relação ao fechamento desta terça-feira (8).
A avaliação está ligada à expectativa de que Schvartsman conduza um processo de desalavancagem, venda de ativos e reorganização da alocação de capital. O primeiro teste será a venda da CSN Cimentos, que já recebeu propostas e pode ser concluída até novembro, após cerca de mais 40 dias para a escolha da melhor oferta.
O BTG afirmou que manteve cautela com a CSN por vários anos devido ao alto endividamento, à geração pressionada de fluxo de caixa livre e à falta de uma tese clara para as ações. Para os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, a mudança no comando pode funcionar como um catalisador, embora os riscos de execução continuem elevados.
Dívida e venda de ativos
A CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com cerca de R$ 42 bilhões em dívida líquida. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, estava em 3,49 vezes. O BTG também destacou que os juros absorvem uma parcela relevante do caixa operacional e que o fluxo de caixa livre continua pressionado.
A companhia estabeleceu a meta de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões em dívida por meio de um programa de desinvestimentos. Entre as possíveis fontes de recursos estão participações minoritárias em infraestrutura e energia, ativos internacionais isolados e, posteriormente, um parceiro estratégico para o negócio de aço.
O banco ponderou que há uma diferença entre anunciar a meta e executá-la. Ainda assim, avalia que uma entrega parcial poderia melhorar a trajetória do balanço e levar investidores a considerar uma alavancagem estruturalmente menor antes da conclusão de todo o plano.
Schvartsman é descrito pelo BTG como um executivo pró-mercado, com experiência em Vale, Klabin e Ultrapar. Steinbruch continua como presidente do conselho de administração e deve manter atuação estratégica, o que, na avaliação do banco, não permite presumir uma mudança imediata na governança ou na alocação de capital.
Cenário eleitoral
O BTG também analisou os possíveis efeitos dos cenários eleitorais sobre a CSN. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia ser associada a políticas mais favoráveis ao mercado e a juros domésticos potencialmente menores, cenário que beneficiaria empresas com alta alavancagem.
Já uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia elevar o risco de depreciação do real. Nesse caso, a exposição da CSN ao dólar, especialmente por meio do minério de ferro e das receitas de aço destinadas à exportação, funcionaria como proteção natural dos resultados. O banco ressaltou que essa transmissão não é simétrica e depende de diferentes variáveis macroeconômicas.
Para o BTG, os problemas estruturais da CSN ainda não foram resolvidos: a alavancagem permanece elevada, o fluxo de caixa livre precisa melhorar e o programa de venda de ativos ainda depende de execução. A avaliação é que a troca de CEO mudou as perspectivas de curto prazo, mas não eliminou os riscos da companhia.



