As chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste nos primeiros 10 dias de setembro e a previsão de precipitações até o fim do mês indicam a formação do período úmido nessas regiões. A melhora pode manter praticamente estáveis, até o fim de setembro, os níveis dos reservatórios de hidrelétricas considerados a caixa d’água do setor elétrico brasileiro.
O cenário ajuda a reduzir os preços da energia no mercado livre. Na plataforma de negociações BBCE, o megawatt-hora para setembro era negociado na casa dos R$ 147 por MWh, abaixo dos R$ 164/Mwh registrados no fechamento da semana passada (4). Para outubro, o valor estava em R$ 162/MWh, ante R$ 193/MWh no relatório semanal mais recente.
A previsão para os meses seguintes, porém, é menos uniforme. O meteorologista da Climatempo Gustavo Verardo afirma que o El Niño deve deixar o início da estação úmida mais chuvoso, mas prevê maior irregularidade das precipitações em direção ao fim do ano e ao começo do ano que vem. Para ele, períodos mais longos sem chuva e temperaturas elevadas podem aumentar a carga do sistema.
“Não esperamos o mês de dezembro tão molhado no Sudeste”, disse Verardo. A possibilidade de redução das chuvas pode pressionar os preços entre dezembro e o primeiro trimestre de 2027.
Mateus Nunes, head de Planejamento Energético da Tempo OK, também prevê queda dos volumes de chuva no Sudeste e no Centro-Oeste. Ele relaciona esse cenário à seca esperada no Norte e no Nordeste por causa do El Niño e avalia que a operação do sistema elétrico pode ficar mais complexa, com maior oscilação nos preços. Nunes afirmou que, em novembro, as chuvas devem ficar mais restritas à Bacia do Iguaçu, até a altura do estado do Paraná.
Previsões diferentes
Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, mantém uma avaliação diferente. Segundo ele, modelos europeu e americano indicam continuidade das chuvas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais, o Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul podem ter precipitações acima do normal até dezembro.
Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, disse que cerca de 75% da Energia Natural Afluente de outubro no Sudeste e no Centro-Oeste está concentrada no Paraná. Ele afirmou que uma interrupção das chuvas durante um mês faria os preços subirem novamente.
Para dezembro, a energia era negociada na casa dos R$ 262 por MWh, abaixo dos R$ 273/MWh da sexta-feira passada. O contrato para o primeiro trimestre de 2027 estava em R$ 288/MWh, ante R$ 300 anteriormente.



