O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, na última reunião antes das eleições. A previsão é consensual entre os analistas do mercado financeiro e representa uma continuidade do ciclo de flexibilização iniciado em março.
A avaliação é que a desaceleração da atividade econômica e a melhora da inflação doméstica abriram espaço para o Banco Central manter os cortes. Desde a reunião de agosto, os economistas passaram a demonstrar maior confiança de que a economia está perdendo ritmo e de que o processo de desinflação avançou.
Cenário externo pressiona por cautela
A decisão brasileira deve ocorrer em um ambiente internacional mais difícil. A guerra no Oriente Médio elevou a incerteza sobre a inflação, enquanto o petróleo voltou a superar US$ 100.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve elevar nesta quarta-feira (16) os juros para o intervalo de 3,75% a 4%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%. Também aumentaram as apostas de que o Banco do Japão elevará sua taxa de referência de 1% para 1,25%. Na semana passada, o Banco Central Europeu aumentou a taxa de depósito em 0,25 ponto percentual, para 2,5% ao ano.
Mesmo diante desse quadro, os analistas esperam que o Copom faça o quinto corte consecutivo da Selic. Para Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, o colegiado considera que os juros estão altos a ponto de provocar uma contração significativa da economia. Ele discorda dessa avaliação e afirma que novos cortes podem dificultar a convergência da inflação para a meta central de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Kanczuk, no entanto, considera certa a redução da taxa nesta quarta-feira. Na avaliação dele, a decisão evitaria ruídos durante o período eleitoral. A próxima reunião está marcada para os dias 3 e 4 de novembro, depois que o resultado das eleições já tiver sido conhecido.
Economistas divergem sobre o fim do ciclo
Henrique Danyi, economista do Santander, afirma que o Brasil chega a este momento em uma posição diferente da de outros países porque manteve juros restritivos por mais tempo. Ele aponta como fatores favoráveis a desaceleração da atividade, a melhora da inflação corrente e a relativa estabilidade do câmbio.
O IPCA desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, influenciado pela queda da conta de luz após o bônus de Itaipu. As expectativas de inflação, porém, continuam como ponto de preocupação. As projeções para o IPCA de 2027 e 2028 estão em 4,3% e 3,8%, respectivamente, conforme o boletim Focus.
Danyi considera mais adequado que o Copom mantenha uma postura dependente dos dados, sem indicar previamente os próximos passos. A projeção do Santander é de encerramento do ciclo em 13,75% ao ano, mas o economista vê necessidade de preservar flexibilidade diante da evolução dos indicadores.
Andrea Damico, economista-chefe e CEO da Buysidebrazil, também prevê um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião, mas admite a possibilidade de novas reduções em novembro. Para ela, a atividade mais fraca e a desaceleração da inflação subjacente sustentam essa hipótese.
No segundo trimestre, o PIB avançou 0,5% ante os três meses anteriores, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre até julho, o menor nível para esse período na série histórica iniciada em 2012, segundo dados do IBGE. Para os economistas, o mercado de trabalho ainda é robusto, mas já apresenta sinais de desaceleração.



